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Este artigo parte da abordagem da “confidence culture” e de seus impactos sobre as mulheres que trabalham em organizações através da sugestão de práticas individuais que prometem a ampliação da autoconfiança e da autoestima. Em diálogo com várias autoras foucaultianas, refletimos acerca de como essas práticas operam como “técnicas de si” às avessas, instigando mulheres a agirem sobre si mesmas, a reconfigurarem suas posturas corporais e discursivas, em sintonia com forças disciplinares do capitalismo. Exploramos alguns objetos discursivos voltados para a auto-regulação das mulheres no trabalho através da construção de uma subjetividade confiante, desconsiderando interseccionalidades e forças sociais, políticas e econômicas que mantêm enraizadas opressões e injustiças. A cultura da confiança favorece a governamentalidade biopolítica negando a vulnerabilidade e a importância de interações recíprocas e comunidades políticas sensíveis dentro das organizações.
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