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Abordamos a propagação da desinformação no âmbito da pandemia de covid-19, considerando os efeitos práticos do discurso antivacina. Para compreender a questão, acionamos as concepções de verdade e crença em Charles Peirce e Algirdas Greimas. Do ponto de vista do pragmatismo de Peirce, a verdade apresenta uma propriedade ontológica que se submete à realidade. Assim, cabe à ciência observar esses efeitos e corrigir os rumos das cadeias de semiose, de modo a almejar um ponto de convergência ideal, que é a verdade. Já pela semiótica discursiva de Greimas, a verdade não se caracteriza por seu vínculo ontológico, subordinado à realidade, mas pelo contrato de veridicção que depende, por um lado, do fazer persuasivo do enunciador, ou seja, o fazer-crer, e, do outro, do fazer interpretativo do enunciatário, isto é, o crer. As duas correntes enfatizam que a crença é preponderante nas ações, em detrimento do que se entende como verdade.
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