A (re)produção da morte: a embalagem e negação da morte na máquina de guerra pandêmica

Vol 30, 2021 - 140532
Comunicação Oral
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Resumo

Na mídia, a pandemia do coronavírus é uma tragédia sem cadáveres visíveis. Apesar do fluxo aberrante de mortes, os mortos da pandemia são visibilidades invisíveis, ocultos por relatórios técnicos, tabus sociais e estratégias formais. Nas raras ocasiões em que o cadáver surge fisicamente em imagem, um padrão se mostra: estão sempre embalados em algum tipo de saco ou tecido. Utilizando a ação visível da embalagem do morto como operador do pensamento, este ensaio se dedica a uma fenomenologia destas raras aparições visuais do cadáver sendo manuseado com o objetivo de tornar manifesto aquilo que seus processos visíveis já mostram: que através da perda de referencialidade, o morto se fez não-experiência através de sua inserção numa cadeia de imagens dedicadas a ocultar a morte do nosso olhar. Uma cadeia de imagens determinista da máquina de guerra pandêmica que produz e reforça uma subjetividade negacionista conformada com a própria morte.

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