VITILIGO INDUZIDO POR USO PROLONGADO DO NIVOLUMABE EM PACIENTE COM MELANOMA METASTÁTICO: UM RELATO DE CASO

vol 4,2024 - 196191
Relato de caso
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

INTRODUÇÃO: O nivolumabe, inibidor de programmed death-1 (PD-1), é eficaz no tratamento do melanoma não irressecável, por meio do direcionamento da resposta das células T para as células tumorais. Entretanto, a ativação inespecífica do sistema imune está associada a efeitos colaterais adversos, especialmente o vitiligo, uma desordem auto-imune caracterizada pela perda seletiva de melanócitos. Este relato de caso objetiva descrever a ocorrência de vitiligo induzido por nivolumabe em uma paciente com melanoma estágio III, destacando a relação entre a terapia imunomoduladora e a manifestação de doenças autoimunes cutâneas. RELATO DE CASO: Paciente do sexo feminino, 74 anos, diagnosticada com melanoma acral no hálux direito, estádio IIIC (T4bN2bM0), com mutação BRAF V600E negativa. O diagnóstico foi confirmado após amputação do hálux ao nível da falange proximal, revelando lesão nodular melanocítica maligna com crescimento vertical (crescimento Clark V, Breslow 1 mm) e índice mitótico de 3 mitoses/mm². Houve invasão óssea com margens livres tanto no dorso quanto na planta do pé. O linfonodo sentinela inguinal apresentou metástase de melanoma (1,3 mm no maior eixo), com confirmação de metástase em um dos seis linfonodos inguinais analisados (1/6). A pesquisa de micrometástases por imuno-histoquímica (IHQ) foi positiva para S-100, Melan A e HMB45. Após a completa ressecção da doença (EC III), a paciente iniciou tratamento com Nivolumabe 3 mg/kg EV a cada duas semanas em outubro de 2017, como adjuvante. Após quatro doses, houve redução no tamanho dos linfonodos necróticos, sem linfadenopatia adicional. No entanto, o tratamento foi interrompido após 4 ciclos devido à falta de acesso à medicação no serviço público. A paciente desenvolveu hipopigmentação generalizada da pele (CTCAE grau 2) e hiperpigmentações multifocais irregulares durante os períodos de pausa do tratamento. A paciente continua em acompanhamento regular, aguardando resolução legal para retomar o tratamento com Nivolumabe e manejar as manifestações cutâneas induzidas pela medicação. Este caso destaca os desafios enfrentados na terapia do melanoma avançado, enfatizando a importância do acesso contínuo à medicação e da gestão eficaz dos eventos adversos relacionados ao tratamento imunoterápico. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A associação entre vitiligo e o uso de Nivolumabe é a que possui o maior nível de evidência na terapia com inibidores de checkpoint. Portanto, descrever tal caso é extremamente importante para acrescentar à literatura dados clínico-epidemiológicos relacionados a tais doenças.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Eixo Temático
  • DERMATOLOGIA