PROTEINÚRIA EM PACIENTE TRANSPLANTADA RENAL DE ORIGEM INFECCIOSA: UM RELATO DE CASO

vol 4,2024 - 196174
Relato de caso
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

INTRODUÇÃO: Na década de 90, a falta de triagem sistemática para infecções, como exemplo, para vírus da hepatite C (HCV) elevou a transmissão do HCV em ambientes hospitalares. Hodiernamente, diversos pacientes passaram a manifestar complicações renais relacionadas à infecção crônica pelo HCV, sendo uma das hipóteses para o mecanismo patológico dessa condição a deposição de complexos imunes em regiões mesangiais e subendoteliais, acarretando lesão renal com presença de proteinúria. RELATO DE CASO: Paciente, 54 anos, sexo feminino, apresentou doença renal crônica secundária a nefroesclerose hipertensiva, após eclâmpsia há 28 anos. Iniciou, em 1996, tratamento com hemodiálise e no ano de 2004 realizou transplante renal com doador falecido, sem complicações cirúrgicas, iniciando uso de drogas imunossupressoras. Desde então paciente sem intercorrências em acompanhamento ambulatorial, quando em 2015 iniciou quadro de proteinúria de 100mg/24h, que somente em 2018 apresentou aumento substancial para 1.595mg/24h. Na época, a paciente apresentava inadequado controle pressórico, documentado em monitorização ambulatorial da pressão arterial (PA), sendo otimizado tratamento anti-hipertensivo. Em 2019, manteve bom controle pressórico, mas apresentou desregulação do controle glicêmico, iniciando uso de metformina 850mg 2x/dia, com boa resposta ao hipoglicemiante. No ano de 2021, a paciente referiu espuma na urina, adjunto à piora da proteinúria para 2.340mg/24h. Permanecendo em acompanhamento ambulatorial multidisciplinar (nefrologia, cardiologia e endocrinologia), sendo realizado em março/2023 uma biópsia de enxerto renal para esclarecimento etiológico. Laudo descreve amostra com 7 glomérulos, um deles com esclerose global e o restante com discreto aumento da matriz e da celularidade mesangial, com escasso infiltrado mononuclear. Após resultado, foi reduzida a posologia do tacrolimus para 3mg 12/12h. No entanto, apesar do bom controle pressórico/glicêmico e do manejo medicamentoso, a proteinúria permaneceu elevada, atingindo 2.920mg/24h em outubro/2023, sendo solicitado nova biópsia em dezembro do mesmo ano, cujo laudo descreve amostra com 15 glomérulos, 3 deles com esclerose global, 1 deles com esclerose segmentar de tipo não especificada e o restante com aumento da matriz e da celularidade mesangial. Ademais, revelou um padrão de imunofluorescência sugerindo possíveis alterações inflamatórias/infecciosas sistêmicas ou menos provavelmente, recidiva de glomerulopatia por C3 dominante. Diante disso, solicitou-se rastreio infeccioso, com resultado positivo para hepatite C, confirmando diagnóstico de glomerulonefrite membranoproliferativa de etiologia viral. A pesquisa quantitativa do RNA HCV detectável obteve valor de 1790000, log 6,25, dando início ao tratamento com Daclatasvir e Sofosbuvir em maio/2024. Após 1 mês de tratamento houve redução de 43,06% na proteinúria de 24h, cujo valor em junho/2024 foi de 1664,2mg. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As complicações renais da infecção crônica pelo HCV podem acarretar taxa acelerada de perda da função renal. No caso em discussão, tem-se uma paciente portadora de DRC transplantada renal há 20 anos com risco aumentado de perder o enxerto renal devido a intensa proteinúria secundária ao vírus. Dessa forma, o estabelecimento do tratamento antirretroviral, bem como o controle em relação a carga viral indetectada sustentada após finalização do tratamento inicial prediz melhor prognóstico tanto renal quanto de qualidade de vida para a paciente.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Eixo Temático
  • CLÍNICA MÉDICA