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Resumo

INTRODUÇÃO: A polineuropatia é uma doença em que há comprometimento simultâneo de múltiplos nervos periféricos, tendo difusão sensorial ou multifocal, sendo tipicamente simétrica e bilateral. Quando associada a ataxia e ao Anti-GAD - ou seja, a incapacidade de manter a coordenação motora e a inibição do glutamato descarboxilase do ácido glutâmico, respectivamente - a polineuropatia evolui para uma atrofia do cerebelo, especialmente do vermis. Isso ocorre devido à perda seletiva das células de Purkinje e à transmissão gabaérgica reduzida. Os sintomas gerais são: queda, disfunção unilateral, ataxia de marcha, dismetria e disdiadococinesia. RELATO DE CASO: Mulher, 53 anos, procedente de Teresina-PI, trabalhava em serviços gerais. A paciente se apresentou ao Hospital Universitário da UFPI no dia 09 de novembro de 2021 para consulta ambulatorial com história de 1 ano de sintomas caracterizados por dificuldade de deambular associado a episódios de queda, dificuldade para segurar objetos, alteração da fala, fala escandida, e redução da acuidade bilateral. No primeiro ano de sintomas realizou exames que mostraram positividade de anticorpo anti-GAD (superior a 2000 UI/mL). Após a consulta, foi internada e foram descartadas causas infecciosas. Exames de imagem não demonstraram alteração. Recebeu o diagnóstico de ataxia anti-GAD e realizou o primeiro ciclo de pulsoterapia com metilprednisolona, acompanhados de mais 4 ciclos posteriores, sendo o último realizado em abril de 2022. No retorno ambulatorial do dia 28 de dezembro de 2023, relata que apresentou piora progressiva dos sintomas, principalmente da fala e da deambulação, havendo necessidade de suporte do andador. Foi internada novamente para a avaliação de imunoterapia e realização de novos exames. Radiografia encontrava-se sem alterações. Durante a internação, a paciente apresentava-se alerta, orientada, com fala disártrica, ataxia de marcha, com dismetria e decomposição de movimento aos testes index-naso e calcanhar-joelho e disdiadococinesia. Foram realizados 5 dias de imunoglobulina humana, dos dias 10 a 14 de janeiro de 2023, seguida de alta para reavaliação ambulatorial. Paciente retorna ao hospital no dia 13 de Novembro de 2023 com queixa de piora progressiva dos sintomas, principalmente da fala e da deambulação, com necessidade de andador e, por vezes, de cadeira de rodas. Ao exame apresentava limitação do olhar para cima, disdiadococinesia bilateralmente, sacadas lentificadas, reflexo estilorradial exaltado, fala escandida, índex-naso e índex-índex com dismetria e pouca decomposição bilateralmente. Níveis de Anti-GAD permaneciam > 2000 UI/ml. Foi internada para realização de 6º ciclo de pulsoterapia com metilprednisolona. O serviço protocolou pedido de rituximabe e a paciente recebeu alta para acompanhamento ambulatorial. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A polineuropatia continua a ser um desafio para a comunidade médica, muitas vezes se apresentando de forma atípica e em associação a outras comorbidades, trazendo mais complexidade a essa doença, como relatado no caso. Por conseguinte, faz-se necessária a discussão de tal patologia, a fim de esclarecer aspectos como seus variados sintomas, diagnóstico e tratamento.

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Eixo Temático
  • NEUROLOGIA