Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

INTRODUÇÃO: A fístula arteriovenosa dural espinhal é uma doença rara com etiologia ainda não completamente esclarecida. São lesões cerebrovasculares resultantes de conexões anormais entre uma artéria e uma veia. Apesar de serem incomuns, lesões agressivas de alto grau podem provocar eventos hemorrágicos e déficits neurológicos não hemorrágicos se não forem tratadas. A apresentação clínica e os achados de imagem podem ser inespecíficos e confusos, frequentemente levando ao diagnóstico incorreto de outras condições, como doenças desmielinizantes ou degenerativas da coluna vertebral. RELATO DE CASO: Homem de 61 anos, residente em Teresina-PI, aposentado por deficiência visual, apresentou fraqueza súbita simétrica de membros inferiores no dia 16 de agosto de 2023, progredindo em poucos minutos para a perda total da força associada a dupla incontinência. No dia seguinte, buscou atendimento médico no Hospital Monte Castelo em Teresina-PI, onde foi internado e realizou cateterismo vesical de demora. Em seguida, foi regulado para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde realizou ressonância magnética de coluna torácica com suspeita de mielite extensa, acometendo vértebras T6 a T11. No mesmo local, passou por pulsoterapia durante 5 dias, com a realização de uma punção lombar no 14º dia após o início dos sintomas, descartando infecções. Posteriormente, foi transferido ao Hospital Universitário (HU) e foi recomendada alta com prescrição de fisioterapia domiciliar. Foi relatada melhora do quadro clínico durante os cinco meses seguintes à primeira internação. Entretanto, após esse período, o paciente buscou novamente atendimento médico devido à redução de força nos membros inferiores e comprometimento da deambulação, além de dorsalgia importante. Na ocasião, referiu uso de azitromicina e ibuprofeno por conta própria para tratamento de uretrite. Durante a internação, paciente encontrou-se vigil, orientado, sob uso de dipirona de forma contínua para dor lombar e de sonda vesical. Exames de imagem de ressonância magnética no crânio e na coluna realizados no dia 05 de março de 2024 indicam redução volumétrica encefálica, caracterizada pela acentuação das fissuras encefálicas e dos sulcos dos giros corticais, além de hipersinal medular da coluna dorsal nas sequências ponderadas de T2 com aspecto tumefativo, e de alterações degenerativas atlanto-axiais e pequenos osteófitos marginais nos corpos vertebrais da coluna cervical. Após arteriografia de medula espinhal recebeu o diagnóstico de fístula arteriovenosa medular adquirida e realizou-se programação para intervenção endovascular para embolização de malformação vascular. Diante de discussão acerca dos riscos e benefícios de manutenção da internação, recebeu alta com retorno a depender da disponibilidade de realização do procedimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A fístula arteriovenosa pode aparecer de forma inespecífica ou confusa na forma clínica e nos exames de imagem. O paciente apresentou, após vasta investigação, diagnóstico de fístula arteriovenosa medular adquirida, que resultou no desenvolvimento de mielopatia. Devido sua condição de raridade e potencial gravidade dos sintomas, é necessário que haja maior interesse e propagação do conhecimento dessa doença, pois ela não possui etiologia completamente esclarecida, o que impacta na realização do diagnóstico precoce e na intervenção com melhores chances de recuperação, sendo de grande importância para o paciente, bem como de seu prognóstico e evolução.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Eixo Temático
  • NEUROLOGIA