ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DOS CASOS DE SÍFILIS CONGÊNITA NO PIAUÍ E NA REGIÃO NORDESTE NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS (2019-2023)

vol 4,2024 - 196114
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Resumo

INTRODUÇÃO: A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível de evolução crônica, por vezes assintomática, que apresenta tratamento e cura, mas que ainda afeta muitos indivíduos, principalmente a população mais vulnerável. Uma das formas de transmissão dessa doença é da gestante para o feto, de forma transplacentária ou durante a passagem pelo canal do parto, podendo gerar complicações, como: esplenomegalia fetal, anemia e placentomegalia. OBJETIVO: Traçar o perfil epidemiológico dos casos de sífilis congênita no Piauí e na região nordeste, entre 2019 e 2023, associando à realização ou não do pré-natal. MÉTODOS: Estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo, com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, no estado do Piauí e na região Nordeste no período de 2019 a 2023. As seguintes variáveis foram analisadas: casos notificados, evolução e realização do pré-natal. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No Nordeste, foram confirmados 30.735 casos de sífilis congênita no período de 2019 a 2023. Destes, 7104 em 2019 e 3068 em 2023, o que representa uma redução de 131,55% no número de casos. Do total de notificações, 423 vieram a óbito pelo agravo notificado (1,38%). Além disso, 25.570 gestantes infectadas realizaram o pré-natal, dentre esses casos 275 neonatos vieram a óbito pelo agravo (1,07%). Já entre as 2.928 gestantes que não tiveram acompanhamento, 90 bebês vieram a óbito pelo agravo (3,07%).Esses dados indicam números ainda muito elevados e preocupantes da sífilis no nordeste, que ainda necessita de constante monitoramento para que os casos continuem a decrescer. No Piauí, 1.355 casos foram confirmados, o que representa 4,41% dos casos totais no Nordeste. Destes, 44 resultaram em óbito pelo agravo (3,25%). Quanto ao acompanhamento pré-natal, 1.167 mulheres infectadas realizaram e 38 neonatos vieram a óbito pelo agravo (3,26%), enquanto 150 não o realizaram e 06 morreram pelo agravo (4,00%). Em relação ao número de óbitos com e sem pré-natal no Piauí, a diferença percentual foi mínima, mas extremamente elevada em ambos, o que indica uma precária condição de prevenção, controle e tratamento da doença no estado, que precisa ser urgentemente melhorada. CONCLUSÃO: No Nordeste, a evolução da sífilis congênita foi mais positiva entre os bebês acompanhados desde o período intrauterino, entretanto, no estado do Piauí a diferença é , percentualmente, mínima. Esse estado, em relação ao Nordeste, não apresentou um número elevado de casos de sífilis congênita, porém a mortalidade é expressiva mesmo com o acompanhamento pré-natal, o que indica uma má qualidade dos serviços prestados às gestantes. Logo, é notória a importância do diagnóstico de sífilis das mães e da realização do pré-natal de qualidade para menor número de óbitos, ao mesmo tempo que também é relevante ressaltar a necessidade de melhora no tratamento e prevenção da sífilis congênita no Piauí.

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Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA