DENGUE EM GESTANTES NO BRASIL E NO NORDESTE: UMA ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DO PERFIL DE RISCO POR TRIMESTRE GESTACIONAL ENTRE 2017 E 2024

vol 4,2024 - 196097
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Resumo

INTRODUÇÃO: O vírus da dengue, pertencente ao gênero Flavivirus, é transmitido pela fêmea do mosquito Aedes aegypti , sendo a principal arbovirose global atualmente. Gestantes são especialmente vulneráveis devido aos sintomas como febre, podendo haver complicações graves e maiores riscos de sangramento durante gravidez ou parto, contribuindo para uma maior taxa de mortalidade materna. Assim, estudos epidemiológicos focados na dengue durante a gestação são essenciais para a vigilância em saúde no Brasil, sobretudo no Nordeste. OBJETIVO: Avaliar o perfil de risco por trimestre gestacional em gestantes acometidas pela dengue entre 2017 e 2024 no Brasil e no Nordeste. METODOLOGIA: Realizou-se uma análise retrospectiva, quantitativa e comparativa da dengue em gestantes no Brasil e no Nordeste, considerando o trimestre de gestação. Três critérios foram investigados via razão de prevalências para comparação entre os trimestres: classificação da dengue (dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave), evolução (cura, óbito pelo agravo e óbito em investigação) e ocorreu hospitalização (sim ou não). Os dados, referentes ao período de 2017 a 2024, foram coletados nas plataformas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A análise incluiu registros do Ministério da Saúde de pacientes do sexo feminino, excluindo dados anteriores a 2017 e aqueles com classificação ignorada ou sexo masculino. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A análise revelou aumento na incidência de dengue na população geral em 2022 e 2023 no Brasil, com pico em 2019 com 730 casos por 100 mil habitantes. No Nordeste, houve redução de 56,9% na incidência em 2023 comparado ao ano anterior, com ápice em 2022 com 421,6 casos por 100 mil habitantes. Em relação às gestantes com dengue no Brasil, o terceiro trimestre gestacional apresentou maior prevalência de casos de dengue grave, com aumentos de 88%, 67% e 128% em comparação ao primeiro e ao segundo trimestre, bem como a não gestantes, respectivamente. Observou-se, também, maior prevalência da evolução para óbito pelo agravo (335%, 259% e 87% maior, respectivamente) e da ocorrência de hospitalização (42%, 60% e 218% maior, respectivamente). No Nordeste, os resultados foram semelhantes, com maior prevalência de dengue grave entre gestantes no terceiro trimestre, com aumentos de 828% e 101% em comparação ao segundo trimestre e a não gestantes, respectivamente. Houve também aumento da prevalência da evolução para óbito pelo agravo (473% e 279% maior, quando comparadas ao primeiro trimestre e a não gestantes, respectivamente) e na ocorrência de hospitalização (34%, 32% e 54% maior, quando comparadas ao primeiro e segundo trimestres, e a não gestantes respectivamente). Isso sugere maior risco de complicações para gestantes no terceiro trimestre gestacional. CONCLUSÃO: Portanto, verifica-se que o terceiro trimestre gestacional é aquele relacionado, nas regiões investigadas, ao maior risco para gestantes que contraíram dengue, haja vista a maior prevalência de dengue grave, óbitos pelo agravo e hospitalizações nesse período. Esses dados sublinham a importância de estratégias de prevenção e manejo específicas para gestantes no tocante à dengue, especialmente no terceiro trimestre, a fim de evitar possíveis complicações.

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Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA