ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DO CÂNCER GÁSTRICO NO NORDESTE BRASILEIRO NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS

vol 4,2024 - 196052
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Resumo

INTRODUÇÃO: O câncer gástrico é uma neoplasia maligna que atinge o estômago, importante órgão do sistema gastrointestinal, com prognóstico ruim e alta taxa de mortalidade nos primeiros 12 meses de tratamento. Associado à infecção pela bactéria Helicobacter pylori, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e elevada ingestão de sal. No Brasil tem maior ocorrência na região Norte e Nordeste, com prevalência inversamente proporcional ao nível socioeconômico. OBJETIVO: Delimitar o perfil epidemiológico dos casos de Câncer Gástrico no Nordeste entre 2019 e 2023. MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo, quantitativo que analisou casos de câncer gástrico no Nordeste nos últimos cinco anos. Foram utilizados dados secundários do PAINEL-oncologia do SIA SUS disponíveis no DataSUS referentes ao CID C16 Neoplasia Maligna do Estômago no Nordeste pelo estado de residência entre 2019 e 2023. As variáveis analisadas: casos por UF, sexo, faixa etária, estadiamento, modalidade terapêutica. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Durante o período analisado, foram notificados 21.720 casos de câncer gástrico no Nordeste brasileiro. O sexo feminino foi mais acometido com 50,1% dos diagnósticos. O grupo de 50 a 79 anos representou 79,9% do total de notificações no período. As faixas etárias mais acometidas foram de 65 a 69 anos (2.693 casos), 60 a 64 anos (2.599 casos), 70 a 74 anos (2.216 casos), 50 a 54 anos (2.188 casos), respectivamente. O estado com maior número de casos foi Alagoas com 4.493 diagnósticos, seguida pelo Rio Grande Do Norte (4.105) e Pernambuco (3.602). Os estágios avançados (3 e 4) representaram 30% do total de diagnósticos, os estágios iniciais (0, 1 e 2) foram responsáveis por 7,96% do notificado. Os demais 13.481 pacientes tiveram estágio classificado como “não se aplica” ou “ignorado”. A modalidade terapêutica mais utilizada foi a quimioterapia, com 7.786 casos, seguida da cirurgia (2.425). 11.056 notificações não apresentam informação sobre o tratamento utilizado. A concentração dos casos entre 50 a 79 anos corrobora a literatura, já que há uma associação entre o câncer gástrico e o envelhecimento. Ademais, a proporção significativa de casos diagnosticados em estágios avançados pode indicar desafios no diagnóstico precoce, devido à pouca conscientização sobre os sintomas e ao acesso limitado ao atendimento. Predomina a quimioterapia como terapêutica principal, também reiterando a literatura existente. O prevalecimento em pacientes femininos difere da literatura, o relatado é cerca de 1,5 a 2,5 vezes maior no sexo masculino em relação ao feminino. CONCLUSÃO: Em suma, observa-se maior número de casos na população idosa, de 65 a 69 anos, com ênfase no sexo feminino. A prevalência dos estados de Alagoas, Rio Grande do Norte e Pernambuco nos diagnósticos pode estar relacionado ao maior acesso à triagem, em comparação a estados com menor desenvolvimento socioeconômico, confirmando relação desse fator à prevalência do acometimento. Além disso, a magnitude de notificações sem informações sobre o tratamento revela uma dificuldade no seguimento desses pacientes que precisa ser revisto. Urgem medidas para que os estados do Nordeste consigam diagnosticar precocemente essa neoplasia e fornecer o tratamento adequado para esses pacientes, imperativo ao bom prognóstico e qualidade de vida.

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Eixo Temático
  • GASTROENTEROLOGIA