ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE CASOS DE TRANSTORNOS MENTAIS RELACIONADOS AO TRABALHO NA REGIÃO NORDESTE

vol 4,2024 - 196050
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Resumo

INTRODUÇÃO: Os transtornos mentais relacionados ao trabalho têm se tornado frequentemente relatados na população economicamente ativa, dado o impacto significativo que têm tanto na saúde dos trabalhadores quanto na produtividade organizacional. Fatores como o estresse ocupacional, a carga laboral excessiva, e a falta de suporte social no ambiente de trabalho têm sido identificados como contribuintes chave para o desenvolvimento de condições como ansiedade, depressão e síndrome de burnout. OBJETIVOS: Avaliar o perfil epidemiológico dos indivíduos acometidos por transtornos mentais relacionados ao trabalho na região Nordeste, no período de 2019 a 2023. MÉTODOS: Estudo de caráter epidemiológico, retrospectivo e quantitativo, realizado a partir da coleta de dados de transtornos mentais relacionados ao trabalho dos estados da região Nordeste, disponibilizados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, acessados pelo DATASUS, e de dados populacionais obtidos do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Na região Nordeste, foram notificados 3347 casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho entre 2019 e 2023. O índice geral de prevalência foi de 6,12 casos a cada 100.000 habitantes. As raças que apresentaram maior prevalência foram amarela, com 80,00 casos/100.000 hab, e branca, com 5,54 casos/100.000 hab. Compreende-se que a alta prevalência na raça amarela se dá em decorrência do reduzido contingente populacional dessa etnia no Nordeste. Quanto ao sexo, a prevalência é de 4,52 casos/100.000 hab no masculino e de 7,62 casos/100.000 hab no feminino. Isso pode implicar maior acometimento de transtornos mentais relacionados ao trabalho em mulheres, assim como maior procura do atendimento em saúde por mulheres. Em relação à faixa etária, os grupos mais acometidos foram entre 35 e 49 anos (49,7% do total de casos) e entre 20 e 34 anos (33,01% do total de casos), que corresponde a indivíduos pertencentes a população economicamente ativa. No âmbito da escolaridade, observa-se que os contingentes mais atingidos são os que possuem ensino superior completo (33,04% dos casos) e ensino médio completo (26,32% dos casos), grupos de maior probabilidade de possuírem vínculo empregatício. CONCLUSÃO: Conclui-se que a prevalência de transtornos mentais é maior entre mulheres de meia-idade, com maior escolaridade e pertencentes à raça amarela. A identificação desses grupos mais vulneráveis permite o desenvolvimento de estratégias direcionadas de prevenção e tratamento, contribuindo para a mitigação dos impactos negativos dos transtornos mentais na vida dos trabalhadores e na sociedade em geral. Portanto, promover um ambiente de trabalho saudável e oferecer suporte psicológico adequado são medidas fundamentais para reduzir a incidência desses transtornos e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

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Eixo Temático
  • PSIQUIATRIA