ACHADOS ULTRASSONOGRÁFICOS SUGESTIVOS DA SEQUÊNCIA ACRANIA-EXENCEFALIA-ANENCEFALIA ANTES DE 11 SEMANAS: RELATO DE CASO

vol 4,2024 - 196029
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: A anencefalia é uma malformação do sistema nervoso central resultante de defeitos no fechamento do neuroporo anterior, de etiologia multifatorial. É caracterizada pela ausência da calota craniana e dos hemisférios cerebrais. Sua história natural pode ser evidenciada pela sequência acrania-exencefalia-anencefalia, em que a ausência da calvária expõe o parênquima cerebral a traumas físicos e químicos no meio intrauterino. O diagnóstico ultrassonográfico da anencefalia ocorre principalmente no primeiro trimestre da gestação, entre 11 e 13 semanas, através de sinais ecográficos em 2D e 3D. Entretanto, tem-se buscado sinais ecográficos característicos que permitam o diagnóstico, de forma precoce, ainda no primeiro trimestre, a fim de melhor manejar as gestantes. Assim, esse trabalho visa descrever um caso da sequência acrania-exencefalia-anencefalia, acompanhado desde a quarta semana de gestação, e sua evolução, com sinais ecográficos antes das 11 semanas. RELATO DE CASO: Paciente, sexo feminino, 23 anos, nulípara, com antecedente de síndrome dos ovários policísticos. Fazia uso de anticoncepcional, interrompendo oito meses antes da concepção. O primeiro exame de imagem por ultrassom foi realizado com 7 semanas e 6 dias, pela data da última menstruação (DUM), sendo detectado saco gestacional com diâmetro de 0,69 cm, com presença de vesícula vitelínica, mas ausência de embrião. O segundo exame realizado apresentou o saco gestacional de 3,3 cm, já com presença de embrião, cujo comprimento cabeça-nádega (CCN) foi de 21,5 mm, compatível com 8 semanas e 6 dias de idade gestacional. Nesse momento, sinais sugestivos de malformação foram detectados, com o líquido amniótico não totalmente anecoico, com ecos de baixa amplitude, e ausência de cavidade rombencefálica, cavidade cística cuja detecção já deveria ocorrer a partir de 8 semanas. Nova ultrassom foi realizada para a morfológica do 1º trimestre, em que o CCN foi de 60,6 mm, compatível com 12 semanas e 4 dias e translucência nucal de 1,7 mm. Avaliando-se o polo cefálico por vários cortes, achou-se uma membrana recobrindo uma massa de formato anormal de tecido neural, compatível com acrania. Conforme deu-se o segmento da paciente com nova ultrassom após uma semana, agora com 13 semanas e 4 dias de idade gestacional, encontrou-se achados semelhantes, mas com redução da área anecoica ao redor do tecido neural. Diante da confirmação diagnóstica, a paciente optou por dar seguimento à gestação. A morfológica do 2º trimestre evidenciou a malformação já no estado anencefálico. O trabalho de parto deu-se de forma prematura, com 27 semanas de gestação. A recém-nascida pesava 570 gramas, nascida viva, mas evoluindo para óbito logo em seguida. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Nesse relato, além dos achados clássicos da anencefalia detectados entre 11 e 14 semanas, pôde-se observar sinais ecográficos precoces, com 8 semanas de gestação, estabelecido pelo comprimento cabeça nádega, os quais foram: líquido amniótico com alterações ecogênicas, ausência da cavidade rombencefálica e polo cefálico de formato anormal. A gestação foi interrompida com 27 semanas, confirmando-se, novamente, a malformação fetal.

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