INTRODUÇÃO: O acidente ofídico é uma doença negligenciada mundialmente mesmo sendo um importante problema de saúde pública, pois, apesar dos impactos socioeconômicos, afeta mais áreas rurais e carentes. Isso ocorre pela atividade do veneno da serpente, que gera efeitos locais e sistêmicos graves, podendo levar, principalmente, a população vulnerável a óbito ou a sequelas incapacitantes. OBJETIVO: Analisar a Incidência e o Perfil Epidemiológico dos acidentes ofídicos no Piauí em relação ao Brasil, no período de 2013 a 2022. METODOLOGIA: Estudo observacional, retrospectivo e comparativo, de abordagem quantitativa com dados coletados pela plataforma DATASUS segundo internações, espécie da serpente, local da picada e óbito, entre 2013-2022. RESULTADOS: No período estudado, houve incidência de 11.776 casos a cada 100.000 habitantes no Brasil, com 252.367 notificações ao total, sendo 80,20% por Bothrops, 9,18% por Crotalus e 7,30% por não peçonhentas. Enquanto no Piauí, a incidência foi de 68,76 casos a cada 100.000 habitantes, com o total de 2.245 casos, no qual o gênero Bothrops representou 51,40?s notificações, Crotalus 30,82% e não peçonhentas 13,40%. Em relação ao local da picada, os dois cenários simbolizam maior prevalência nas mesmas áreas. No Brasil, picadas na mão (12,17%), na perna (20,37%) e no pé (46,88%). No Piauí, picadas na mão (14,83%), na perna (15,90%) e no pé (42,89%). No que se refere a mortalidade, houve óbito em 0,41% dos casos no Brasil, destes, 73,86% pelo gênero Bothrops, 19,28% por Crotalus e 1,15% por não peçonhentas. Todavia, no Piauí, 0,53% dos casos evoluíram a óbito, sendo 50?s mortes por Bothrops e 50% por Crotalus. CONCLUSÃO: Por conseguinte, percebe-se que, entre 2013 e 2022, a incidência de acidentes ofídicos a cada 100 mil habitantes no país foi 170x maior que no Piauí. Outrossim, observa-se que, nos dois cenários, os locais de picada mais frequentes são, respectivamente, o pé, a perna e a mão. Ademais, o gênero Bothrops é o mais prevalente em ambos os casos, seguida do gênero Crotalus e das Não Peçonhentas. Além disso, vale mencionar que a mortalidade no Piauí é 29,26% maior que no Brasil, resultante da falta de assistência a esses quadros. Ainda assim, há a necessidade de advertir quanto ao risco de subnotificação e a ausência de campo no DATASUS referente a sequelas incapacitantes, como possíveis entraves para maior precisão do estudo.