INTRODUÇÃO: As síndromes de maus tratos são definidas como abuso e negligência praticados contra qualquer faixa etária, incluindo abandono, violência sexual, violência física e abuso psicológico. Desse modo, tais ocorrências impactam no desenvolvimento, na dignidade e na saúde física e emocional das vítimas, as quais muitas vezes necessitarão de atendimento intra-hospitalar. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico das Internações por Síndrome de maus tratos no Brasil entre os anos de 2018 a 2022. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo transversal, retrospectivo, com abordagem quantitativa, das internações por síndrome de maus tratos no Brasil nos anos de 2018 a 2022, a partir de dados obtidos no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS), Sistema de Informações sobre Mortalidade Hospitalar do SUS (SIH/SUS). A análise dos dados se deu por meio das seguintes variáveis: faixa etária, sexo, raça, região e taxa de mortalidade. Os resultados foram tabulados em planilha do Microsoft Excel. RESULTADOS: Foram registradas, no período estudado, 2.457 internações por síndromes de maus tratos no Brasil, sendo 457 (18,59%) em 2018, 479 (19,49%) em 2019, 428 (17,41%) em 2020, 500 (20,35%) em 2021 e 593 (24,13%) em 2022 ;com destaque para as regiões Sudeste com 961 casos (39,11%), Sul com 660 (26,86%) e Nordeste com 417 (16,97%). Ademais, a faixa etária mais acometida foi a de 1-4 anos (24,74%),seguida por 5-9 anos (22,87%) e 10-14 anos (20,15%); e o sexo que prevaleceu foi o feminino, representando 1.928 das internações (78,46%). Outrossim, quanto ao caráter do atendimento, a urgência destacou-se com 2.215 (90,15%) casos. A média de permanência de internação foi de 3,22 e a taxa de mortalidade média foi de 0,41, sendo a maior no ano de 2020, com 0,95.CONCLUSÃO:Evidenciou-se que a incidência de internações por síndromes de maus tratos, no Brasil, teve uma crescente durante o período estudado, porém sem grandes elevações de um ano para outro. Além disso, observou-se um maior número de casos nas regiões sudeste e sul, com caráter de atendimento urgente, prevalecendo a faixa etária de 1-14 anos, sobretudo no sexo feminino, possivelmente devido a vulnerabilidade física e/ou emocional desses grupos. Urge, então, o despertar da comunidade científica para tal tema, bem como na elaboração de medidas profiláticas e efetivas no combate a esse quadro deletério, as quais minimizem possíveis complicações intra-hospitalares.