INTRODUÇÃO: A desnutrição é um importante indicador socioeconômico, visto que o estado nutricional de uma população se relaciona diretamente com a sua qualidade de vida. Determinadas faixas etárias, como as crianças e grupos populacionais vulneráveis, estão entre os mais atingidos por alterações nutricionais. Trata-se de um grave problema de saúde que compromete o desenvolvimento infantil e potencializa a morbimortalidade pediátrica. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico da morbidade hospitalar por desnutrição em crianças de 0 a 14 anos na região Nordeste entre 2018 e 2022. MÉTODOS: Estudo transversal descritivo, cujos dados foram coletados na plataforma TABNET, disponível no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Selecionou-se a seção “Morbidade Hospitalar do SUS”, considerando as internações entre os anos de 2018 e 2022 na região Nordeste. Foram analisadas as variáveis: faixa etária, cor/raça, ano de processamento e óbitos. RESULTADOS: Na região Nordeste, no período em análise, foram registradas 9.390 internações, sendo 1.800 no ano de 2018, 1.943 em 2019, 1.777 em 2020 e 1.804 em 2021. O ano de 2022 foi aquele que apresentou o maior número de internações com 2.066 casos. Dentre as faixas etárias pediátricas selecionadas, houve maior enquadramento em menores de 1 ano, com 6.238 casos (66,43%), seguido de 1-4 anos com 1.701 (18,11%), de 5-9 anos com 782 (8,32%) e de 10-14 anos com 669 (7,12%). Do total, somente 5.241 internações tiveram a cor/raça informada. Os pardos representaram a maioria das internações no período (87,06%). Em relação ao número de óbitos, foram notificados 204 casos, dos quais 158 acometeram menores de 1 ano. CONCLUSÃO: O estudo demonstrou, ao longo do período analisado, um aumento do número de internações pediátricas por desnutrição, com destaque para o ano de 2022, no Nordeste. O perfil epidemiológico mostrou-se prevalente em crianças menores de 1 ano, de cor/raça parda. Observou-se ainda uma discrepância significativa do número de internações quando comparado ao número de óbitos registrados. Isso evidencia que, embora a alta morbidade hospitalar por desnutrição, o SUS atua com eficiência no controle do agravamento dos casos e no combate à mortalidade. Sendo assim, faz-se necessário fortalecer o acompanhamento nutricional infantil na Atenção Primária.