INTRODUÇÃO: A violência contra a pessoa idosa é um problema crescente de saúde pública. O conhecimento das características e dos fatores associados a essa problemática pelos profissionais de saúde viabiliza o enfrentamento da violência em todos os níveis de assistência à saúde. Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico dos casos de violência interpessoal/autoprovocada em pessoas com mais de 60 anos, no estado do Piauí, de 2017 a 2021. MÉTODOS: Trata-se de um estudo longitudinal, retrospectivo, descritivo, com abordagem quantitativa. As variáveis estudadas foram: número de casos, sexo, raça, escolaridade, tipo de violência, local onde ocorreu a violência e autor da violência. O intervalo de tempo foi definido pela disponibilidade dos dados extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (SINAN/SUS)–DATASUS. RESULTADOS: Ocorreram 689 notificações de violência interpessoal/autoprovocada nesse grupo. Desse total, 322 (46,7%) correspondem ao sexo feminino e 367 (53,3%) ao masculino; 439 (63,7%) à raça parda. 339 (49,2%) notificações não continham escolaridade, nas demais predominaram o ensino fundamental incompleto, somando 178 (25,8%). Em relação aos tipos de violência: 487 (70,7%) casos corresponderam à física; 140 (20,3%) a moral/psicológica; 33 (4,8%) a sexual; 41 (5,9%) a negligência e abandono; 104 (15,0%) a outras causas não especificadas. Quanto ao local onde ocorreu a violência, 444 (64,4%) apontam a residência; 130 (18,8%) não esclarecem esse dado. Em 157 (22,8%) notificações, as lesões foram autoprovocadas; 121 (17,6%), a agressão foi proferida pelo(a) filho(a); 112 (16,3%) por amigos ou conhecidos; 81 (11,8%) por desconhecidos e 80 (11,6%) esse dado não foi elucidado. CONCLUSÃO: O número de casos envolvendo homens foi discretamente maior que o número em mulheres. Houve predomínio de vítimas pardas, com ensino fundamental incompleto. O tipo de violência mais comum foi a física, na residência da vítima. O número de lesões autoprovocadas em pessoas idosas merece notoriedade e reitera a importância da vigilância quanto à saúde mental dessa população. Esse estudo possibilita melhor compreensão a respeito da violência contra a pessoa idosa no Piauí e facilita a elaboração de estratégias para combatê-la.