INTRODUÇÃO: O aumento da expectativa de vida e da multimorbidade associados à maior disponibilidade de medicamentos no mercado e a ausência de um consenso terapêutico geraram uma ameaça à segurança dos pacientes, a partir da polifarmacoterapia. As associações medicamentosas têm sido práticas comuns, principalmente, no tratamento de pacientes hipertensos e diabéticos, ignorando-se os possíveis potenciais de interação, a quantidade dos fármacos e as consequências para os indivíduos. OBJETIVOS: Investigar a polifarmacoterapia em pacientes diabéticos e hipertensos. MÉTODOS: Foram feitas visitas domiciliares a pacientes maiores de 18 anos com diabetes mellitus tipo II (DM2) assistidos pela Unidade Básica de Saúde Bom Sucesso na cidade de Imperatriz, Maranhão, Brasil. Realizou-se a mensuração da glicemia capilar, da pressão arterial e das medidas antropométricas, além do questionário a respeito da medicação de uso diário, tanto para DM2 e hipertensão, quanto para outros agravos à saúde. Esta pesquisa recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer nº 5.246.867. Todos os participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. RESULTADOS: Participaram da pesquisa 35 pacientes diagnosticados com DM2, com média de idade de 63 anos, 31 (88,5%) possuem como doença secundária a hipertensão arterial, sendo 10 do sexo masculino (32,3%) e 21 do sexo feminino (67,7%). Ao todo, 147 fármacos foram totalizados, sendo 49 (33,3%) da classe dos antidiabéticos, 67 (45,6%) da classe dos anti-hipertensivos e 31 (21,1%) utilizados para outras patologias. Em relação ao número de medicamentos administrados, 33 pacientes (97,0%) fazem uso de dois ou mais fármacos, desses, 15 consomem de 2 a 3 medicações (44, 1%), 12 consomem de 4 a 6 (35,3%) e 6 consomem de 6 ou mais (17,6%), sendo que o consumo médio foi de 4,3 por paciente. Assim, considerando o uso de 4 ou mais medicamentos, a prevalência da polifarmácia na amostra estudada foi de 53,0%, sendo de 33,3% representada pelo grupo masculino e 66,7% pelo grupo feminino. CONCLUSÃO: A polifarmacoterapia é uma realidade para os portadores de doenças crônicas da pesquisa, podendo resultar em complicações sistêmicas. Nesse contexto, o acompanhamento desses pacientes é imprescindível para a redução de possíveis consequências dessa prática.