INTRODUÇÃO: A Sífilis Congênita (SC) é ocasionada pela bactéria Treponema pallidum, por transmissão vertical. Ela apresenta altas taxas de transmissão e é responsável por ocasionar abortos e malformações em recém-nascidos, quando não é tratada. OBJETIVOS: Analisar os casos de SC no estado do Piauí ao longo de uma década. MÉTODOS: Estudo ecológico de série temporal, retrospectivo, com abordagem quantitativa, utilizando dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), referentes aos casos de SC no estado do Piauí no período de 2012 a 2021. As variáveis ano, casos confirmados, evolução, classificação final, taxa de incidência e de mortalidade, faixa etária e escolaridade da mãe, realização do pré-natal e período de diagnóstico da sífilis materna foram analisadas ao longo do período. RESULTADOS: No período analisado foram registrados 2.805 casos de SC no estado do Piauí. 2018 foi o ano que apresentou a maior taxa de incidência (10,04 casos por 1.000 nascidos vivos no ano), enquanto 2012 foi o ano de menor incidência (1,79 casos por 1.000 nascidos vivos no ano). Nessa década, 95,96?s notificações foram diagnosticadas com até 6 dias de vida, sendo que 93,80% foram classificados com SC recente e 93,16% dos bebês notificados permaneceram vivos. Em relação à mortalidade, foram registrados 41 (1,46% dos casos notificados) óbitos por SC, sendo que o ano de 2012 não apresentou registros para mortalidade referente à SC no DATASUS, e o ano de 2017 conta com a maior taxa de mortalidade (18,54%). O perfil das mães dos bebês com SC, era de mulheres com faixa etária de 20 a 24 anos (29,16%), com escolaridade de 5ª a 8ª série do ensino fundamental incompleto (28,16%), que realizaram o pré-natal (85,20%), e que foram diagnosticadas com sífilis materna durante durante o pré-natal (46,63%). CONCLUSÃO: Os resultados encontrados neste estudo demonstram que a ocorrência da SC e a mortalidade associada a ela, ainda apresentam taxas consideráveis no estado do Piauí. O número de casos apresentou uma redução a partir de 2019 e de forma mais acentuada no período da pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19. A discrepância entre o número de consultas pré-natais e de diagnósticos de SC nesta década pode indicar uma assistência pré-natal inadequada. Em relação ao perfil materno, observou-se uma concordância com os dados já divulgados na literatura.