INTRODUÇÃO: A Hanseníase é uma doença transmissível causada pelo Mycobacterium leprae que afeta a pele e os nervos periféricos e, se não tratada, pode causar sequelas graves e exclusão social (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2021). A hanseníase pode ser classificada quanto ao grau de incapacidade física (GIF) por ocasião do diagnóstico, o GIF 0 corresponde a sem alterações ao exame físico, o GIF 1 a diminuição de sensibilidade e força muscular e o GIF 2 a deficiências visíveis (BRASIL, 2023). A proporção de casos novos de hanseníase diagnosticados com GIF 2 é um importante indicador para avaliar o diagnóstico tardio (BRASIL, 2023). OBJETIVOS: Objetivou-se analisar os impactos da pandemia da COVID-19 na notificação tardia da hanseníase no Piauí a partir do grau de incapacidade física no momento do diagnóstico. MÉTODOS: Estudo transversal. Dados coletados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), tabulados a partir da ferramenta TabNet, no período de 2017 a 2022. Foi calculada a proporção de casos GIF 2 em relação aos casos totais em cada ano do período avaliado, por meio de cálculo de porcentagem e a taxa de incidência (TI) pelo número de casos notificados de hanseníase com GIF 2 notificados no SINAN dividido pela população estimada do estado do Piauí do ano de 2021 (PE) registrado na plataforma do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da fórmula: TI= GIF 2/PE x1.000.000, com resultado expresso por milhão de habitantes, para cada ano. RESULTADOS: Nos anos anteriores à pandemia, a porcentagem de casos notificados de hanseníase com GIF 2 no momento do diagnóstico em relação ao total foi de 7,4% em 2017, 7,4% em 2018 e de 6% em 2019. A partir de 2020, percebe-se um crescente nesse indicador, que passou a ser de 8,5% em 2020, 10,0% em 2021 e 9,0 22. Ao comparar 2019, o último ano antes da pandemia, com 2021, o ano em que a infecção por COVID-19 gerou maior letalidade no Brasil, percebe-se que houve um aumento de 66,7?sse indicador. Observa-se que a TI de GIF 2, por 1 milhão de habitantes, foi de 20,9 casos em 2019 e de 26,7 casos em 2021, o que configura um aumento de 27,8%. CONCLUSÃO: Ao comparar os anos de 2019 e 2021, é possível observar aumentos consideráveis na porcentagem de casos de hanseníase GIF 2 em relação ao total e na TI. A partir disso, especula-se que a pandemia pode ter causado um atraso no diagnóstico da hanseníase no estado, o que pode gerar sequelas irreversíveis aos indivíduos acometidos.