INTRODUÇÃO: A sífilis congênita (SC) é uma infecção transmitida da mãe ao feto, por via transplacentária, em gestantes contaminadas pelo Treponema pallidum. As principais manifestações da SC são: prematuridade, baixo peso ao nascer, hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, trombocitopenia, linfadenopatia, alterações ósseas, cutâneas e neuropsicomotoras (BRASIL, 2022). O diagnóstico de SC exige notificação compulsória e quando tardio pode levar a sequelas intelectuais, auditivas e esqueléticas (BRASIL, 2022; PAIXÃO, 2023; HUSSAIN et al.,2023). OBJETIVOS: Objetivou-se analisar os impactos da pandemia da COVID-19 na notificação de SC no Piauí e, como objetivo secundário, comparar com dados do Brasil. MÉTODOS: Estudo transversal. Dados coletados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), tabulados a partir da ferramenta TabNet, no período de 2015 a 2020. A taxa de incidência (TI) de SC foi calculada pelo número de casos de SC notificados no SINAN dividido pelo número de nascidos vivos (NV) registrados na plataforma Integrada de Vigilância em Saúde (IVIS) do Ministério da Saúde (MS) no mesmo ano por meio da fórmula: TI= SC/NV x1000, com resultado expresso por mil NV (‰). Foi comparada a TI de SC nos anos antes (2015 a 2019) e após o início da pandemia de COVID-19 (2020). RESULTADOS: Entre os anos de 2015 e 2019, a TI de SC manteve-se sempre acima de oito por mil NV, média de 8,65 e desvio padrão de 0,88, com maior valor registrado em 2018 (2015: 8,00‰; 2016: 8,00‰; 2017: 8,92‰; 2018: 10,08‰; 2019: 8,26‰). Em 2020, essa taxa passou a ser de 5,46‰, o que representa uma queda de 36,88% em relação à média dos últimos cinco anos e de 31,75% em relação a menor TI do período (8,00‰). De forma semelhante, no Brasil, foi encontrado uma queda na TI de SC entre os anos de 2018 (9,00‰) e 2020 (7,70‰), com uma diferença de 14,4%, segundo dados descritos no Boletim Epidemiológico de Sífilis do Ministério da Saúde (BRASIL, 2021). A notificação de SC só estava atualizada no SINAN até junho de 2021, o que impediu a inclusão deste ano na avaliação. CONCLUSÃO: A notificação de SC no Piauí durante a pandemia COVID-19 reduziu de forma mais evidente que a verificada no Brasil. Dessa forma, especula-se um forte impacto da pandemia COVID-19 sobre a SC, já que a subnotificação e o atraso no tratamento podem gerar sequelas permanentes e graves aos acometidos, além de mascarar estatísticas significativas para o planejamento de medidas públicas.