INTRODUÇÃO: A diabetes mellitus tipo II (DM2) e a hipertensão são doenças crônicas de prevalência significativa na população brasileira. Em decorrência dessas patologias, é comum a terapêutica com a utilização de polifármacos, diários e, consequentemente, o aumento dos riscos de interações medicamentosas que podem levar a efeitos adversos. OBJETIVO: Investigar polifarmácia e interações medicamentosas em pacientes diabéticos e hipertensos. MÉTODOS: Foram abordados, durante visitas domiciliares, pacientes cadastrados em uma microárea da Unidade Básica de Saúde Bom Sucesso, Imperatriz, Maranhão, Brasil, com a participação do Agente Comunitário de Saúde (ACS). Todos eram maiores de 18 anos, manifestaram concordância em participar da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os pacientes foram investigados quanto ao diagnóstico de DM2 e hipertensão e sobre o uso diário de medicamentos. Por fim, com o auxílio dos softwares “Medscapes” e “Drugs.com Medication Guide”, foram analisadas as interações medicamentosas entre os fármacos. Este trabalho foi submetido ao Comitê de Ética e pesquisa em seres humanos e aprovado sob o parecer consubstanciado n° 5.246.867. RESULTADOS: Verificou-se que dos 35 pacientes visitados, com idades de 48 a 87 anos, 88,5% possuíam diagnóstico para diabetes e hipertensão e 33 (97%) utilizavam dois ou mais medicamentos de uso contínuo. Dentre as principais interações medicamentosas encontradas e que podem ocasionar riscos à saúde, estão a associação entre diuréticos tiazídicos e biguanidas, mediante o uso concomitante de Hidroclorotiazida e Metformina (36,3%), levando a hiperglicemia e a riscos de acidose lática. Além disso, 18, 2% dos pacientes analisados utilizavam a combinação de bloqueadores dos canais de cálcio da classe das dihidropiridinas e diuréticos tiazídicos, pela utilização simultânea de Hidrocloritiazida e Besilato de Anlodipino, que pode resultar no aumento do efeito hipotensor. CONCLUSÃO: A associação de múltiplos medicamentos na farmacoterapia de pacientes com DM2 e hipertensão é, na maioria das vezes, inevitável. Desse modo, essa população merece a atenção especial da Equipe Básica de Saúde quanto à monitorização da terapêutica, possibilitando a segurança desses pacientes em uso de polifarmácia.