INTRODUÇÃO: A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, e a reação tipo 1 (T1R) ou reação reversa é a principal causa de incapacidades físicas e deformidades na hanseníase. RELATO DE CASO: Paciente do sexo feminino, 85 anos, lavradora, residente em zona rural maranhense, foi transferida ao serviço terciário com queixa de edema em pés e mãos, que evoluiu para membros inferiores (MMII) e face, associado a parestesia de extremidades e dor à palpação de MMII, há 10 meses, e de manchas avermelhadas na pele com melhora e piora espontâneas, além de perda ponderal não quantificada. Negou febre e outros sintomas. Havia história patológica pregressa de tuberculose aos 25 anos. Foram aventadas as hipóteses diagnósticas de linfangite, síndrome paraneoplásica e reação hansênica tipo 1. Solicitou-se exames laboratoriais e parecer da Dermatologia. Ao exame dermatoneurológico, além das alterações supracitadas, notou-se fácies leonina, manchas eritematosas confluentes com formação de placas infiltradas e/ou esmaecimento central, em MMII até raiz de coxa e tronco, bolhas em 2º e 3º quirodáctilos direitos e 3º esquerdo, redução de sensibilidade térmica nas manchas e placas, espessamento neural de nervos ulnares bilateralmente, neurite em fibular e tibial posterior direitos, presença de garra nos 5º quirodáctilos e nos pododáctilos e onicomicose em unhas. Os achados sugeriram o diagnóstico de Hanseníase multibacilar, dimorfa-tuberculóide, associada a T1R. Orientou-se, então, poliquimioterapia única (PQT-U) por 1 ano, prednisona 1mg/kg/dia para tratamento de quadro reacional e notificação do caso. Para complemento diagnóstico, solicitou-se baciloscopia, cujo resultado foi positivo com índice geral 3,0. A paciente evoluiu com melhora parcial e recebeu alta hospitalar, em uso da PQT-U e do corticoide, com indicação para seguimento em UBS e no ambulatório de dermatologia, na linha de cuidados de Hanseníase, para monitoração do quadro, avaliação de incapacidades e reabilitação. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O relato enfatiza a importância do diagnóstico precoce da hanseníase, sobretudo na atenção básica, a fim de instituir a terapia adequada em tempo hábil para evitar agravamentos e sequelas, do acompanhamento ambulatorial contínuo e da abordagem multidisciplinar, para monitorar a evolução clínica, garantir a adesão ao tratamento e reduzir o impacto da doença na qualidade de vida dos pacientes.