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Resumo
INTRODUÇÃO: A tuberculose peritoneal (TP) é uma forma rara de tuberculose extrapulmonar caracterizada pela infecção da cavidade peritoneal. Seu diagnóstico é desafiador devido à manifestação inespecífica e semelhante a outras condições abdominais. Métodos tradicionais de diagnóstico têm sensibilidade limitada, exigindo exames complementares. Ademais, a presença de ascite representa um desafio terapêutico, pois para tratar a ascite, necessita-se do tratamento adequado da infecção, o que pode não ocorrer em casos de resistência aos medicamentos antituberculose. Assim, uma abordagem multidisciplinar, tomada de decisão compartilhada e acompanhamento rigoroso são cruciais para diagnóstico precoce e tratamento eficaz, visando a melhora clínica do paciente. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 43 anos, foi encaminhado ao Hospital Universitário (HU) devido a uma investigação de ascite há 3 meses, perda de 15 kg e dor abdominal. Nega comorbidades, etilista desde os 19 anos. Ao exame físico: Abdome globoso, ascítico, levemente doloroso à palpação. Hipótese diagnóstica de síndrome consumptiva com etiologia neoplásica ou tuberculosa. Foi realizada paracentese, com retirada de 5,6 litros de líquido amarelo citrino. A análise do líquido teve teste positivo para tuberculose em 04/04. O tratamento foi iniciado com a terapia padrão RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol), sem melhora clínica significativa. Já com relação a suspeita de neoplasia realizou-se endoscopia digestiva alta em 06/04, com histopatológico que indicou gastrite crônica leve. O quadro cursou com elevação da PCR (63,78) e persistência da dor abdominal e ascite, com tentativa de controle com Meropene de 14/04 a 22/04, sem melhora sintomática e sem controle da PCR (81,62 em 21/04). Associado, houve piora da função renal com Creatinina evoluindo de 1,31 para 2,36 e Ureia de 55,6 para 141 no intervalo de 13/04 a 21/04. Em 24/04 o paciente evoluiu com queda da saturação de oxigênio, uso de musculatura acessória e esforço respiratório moderado, evoluiu para IOT em 25/05, com internação em UTI, choque séptico, que culminou em parada cardiorrespiratória e óbito. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O relato de caso mostra um caso de TP. O qual possui difícil diagnóstico pelos sintomas inespecíficos, associado a difícil tratamento, pela resistência medicamentosa a terapia com RIPE. O que motiva mais pesquisas na área para aprimorar o diagnóstico, o tratamento e a perspectiva de cura dos pacientes.

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Instituições
  • 1 UFPI
Eixo Temático
  • Clínica Médica
Palavras-chave
ascite
tuberculose peritoneal
síndrome consumptiva