INTRODUÇÃO: O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune que envolve múltiplos órgãos e sistemas, sendo o envolvimento musculoesquelético (MSK) um dos mais frequentes e mais precoces da doença, afetando articulações, tecidos moles periarticulares e ossos. Esse acometimento pode ser tanto primário quanto relacionado ao uso prolongado de corticoides. Apesar da alta prevalência, esse tema tem recebido pouca atenção e suas formas radiológicas de apresentação são pouco reconhecidas. RELATO DE CASO: Sexo feminino, 46 anos, reside em Buriti dos Lopes-PI, dona de casa. Há 27 anos, ao apresentar edema intenso em membros inferiores, foi diagnosticada com LES, iniciando o tratamento com prednisona. Seis anos depois, foi internada por 3 meses no Hospital Getúlio Vargas (HGV), em Teresina-PI, devido a episódio de derrame pleural, com acréscimo de metotrexato e hidroxicloroquina à terapêutica, mantida desde então. Após o episódio descrito, seguiu com manifestações lúpicas restritas ao acometimento articular e cutâneo, com edema aos esforços, dor articular e fotossensibilidade. Depois de longo período sem hospitalizações, há 5 anos, relata entorse com falseio no joelho esquerdo ao descer de um carro, sem histórico de traumas prévios, encaminhando-se ao Hospital Estadual Dirceu Arcoverde em Parnaíba-PI, onde imobilizou o membro com gesso. Após 2 semanas, ao retirar o gesso, relatou permanência de falseios com flacidez do joelho e limitação da amplitude de movimento (60-80°), realizando uma Ressonância Magnética (RM), que revelou rotura meniscal, sendo submetida a meniscectomia aberta. Porém, um ano após o procedimento, houve retorno dos sintomas, com nova RM revelando ruptura total do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) esquerdo. Foi submetida, então, a procedimento de reconstrução ligamentar no HGV, há 3 meses, com resolução do quadro associado à ruptura ligamentar. Após a cirurgia, paciente realiza tratamento fisioterapêutico para reabilitar o joelho com ganho de força e mobilidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Ainda que o envolvimento MSK no LES seja reconhecido, lesões no joelho sem traumas prévios são mais raras, em especial a lesão de LCA. Deve-se então, ampliar os estudos acerca da etiopatogenia exata do processo, se primária ou secundária à corticoterapia, bem como seu diagnóstico por exames complementares. Ademais, o presente relato desperta a atenção para a prevenção dessas lesões, através do fortalecimento muscular precoce em pacientes com lúpus.