INTRODUÇÃO: Ingestão cáustica é uma das principais causas de estenose esofágica entre pacientes pediátricos (incidência de até 49%). Essas lesões são um problema frequente em especial em menores de 5 anos. A estenose ocorre preferencialmente nos terços proximal e médio. Dilatação endoscópica é o tratamento de escolha. A abordagem cirúrgica consiste na substituição esofágica por interposição colônica. Destarte, relata-se caso de paciente pediátrico com estenose esofágica por lesão cáustica crônica, que foi submetido a anastomose esofagocolon. RELATO DE CASO: Criança de 2 anos e 10 meses, de Jatobá do Piauí-PI. Mãe relata ingestão cáustica em 19/06/2021, quando a criança tinha 1 ano e 5 meses, evoluindo com disfagia e perda de peso. Dois meses após o acidente, a criança deu entrada no Hospital de Urgência de Teresina para realizar endoscopia digestiva alta, que evidenciou estenose cicatricial com obstrução total no esôfago proximal há 2 cm do músculo cricofaríngeo, não sendo possível a passagem do aparelho. Realizou esofagograma, que mostrou opacificação do esôfago até terço superior/médio, transição abrupta nesta topografia, com dilatação a montante chegando a medir 2,7 cm, com obstrução distal. Paciente transferida ao Hospital Infantil Lucídio Portella para realizar gastrostomia (realizada em 30/08/2021, sem intercorrências, alta com 2 dias de pós-operatório (DPO) para seguimento ambulatorial). Readmitida 07/10/2021 e realizada endoscopia com tentativa de dilatação retrograda do esôfago pela gastrostomia, sem sucesso devido a estenose e risco de perfuração acentuados. Foi realizada anastomose esofagocolon em 06/09/2022, sem intercorrências. Iniciou nutrição parenteral no 3ºDPO. No 10°DPO, evoluiu com piora de estado geral e função renal (creatinina: 3,5; ureia: 115). Realizada hemodiálise, com melhora clínica e laboratorial (21/09-creatinina 0,2; ureia: 10). Alta hospitalar no 20°DPO, em bom estado geral, com boa aceitação da dieta pastosa via oral e por gastrostomia, abdome inocente, feridas operatórias com boa cicatrização, diurese e evacuações fisiológicas. Para seguimento ambulatorial com a cirurgia pediátrica para retirar gastrostomia. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Estenose esofágica por ingestão cáustica tem alta incidência na população pediátrica. Assim, devido a casos como o relatado faz-se necessário discutir esse tema para que a sociedade médica saiba manejar o quadro de forma a alcançar o melhor prognóstico para o paciente.