Introdução: Na Dermatologia, tipicamente se manejam os pacientes em contexto ambulatorial. No entanto, reconhece-se cada vez mais a importância da avaliação dermatológica nos leitos hospitalares, mudando o diagnóstico, tratamento e desfecho dos pacientes. Logo, é fundamental conhecer as doenças de pele e do tecido subcutâneo mais presentes nas internações no Piauí e seus dois estados lindeiros, de modo a alertar o médico piauiense sobre ocorrências comuns em dermatologia hospitalar na sua prática. Objetivo: Analisar a epidemiologia das internações relacionadas a afecções dermatológicas no Piauí, Maranhão e Ceará, frente ao panorama brasileiro, no período entre 2018 e 2022. Método: Trata-se de um estudo epidemiológico, quantitativo e retrospectivo realizado mediante dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares (SIHSUS) disponibilizados pelo DATASUS, relacionados a notificações de internações com diagnóstico de doenças de pele e do tecido subcutâneo nos anos de 2018 a 2022. As variáveis analisadas foram “frequência”, “Diagnóstico CID-10 capítulo 12” e “UF de internação”. Resultados: No período, foram registradas 172.324 internações com diagnóstico no capítulo 12 da CID-10 nos três Estados (MA, PI e CE), representando 13,93% do total brasileiro de 1.236.843. O diagnóstico mais prevalente foi “L98 – Outras afecções de pele e tecido subcutâneo não classificadas em outra parte”, com 40.158 (23,30%) internações na região e período delimitados – no Brasil este percentual vai a 29,10%, enquanto no CE cai para 17,10%. “Celulite” aparece como a afecção específica mais prevalente, com 37.225 (21,60%) ocorrências na região (contra 17,57% no Brasil). Outros diagnósticos mais comuns na região e período são “Úlcera dos membros inferiores não classificados em outra parte (L97)”, com 24.341 (14,13%) internações, sendo a prevalência brasileira de 11,35%; “Abscesso cutâneo, furúnculo e antraz (L02)”, com 10.306 (5,98%) na região, representando 7,88% no Brasil e “Úlcera de decúbito (L89)”, com 8.353 (4,85%), sendo 5,91% no país. Conclusão: Os registros mais prevalentes encontrados na delimitação estabelecida são de grupos de miscelânea. Estas classificações mostram pouca especificidade, mas também a necessidade de melhor descrição do motivo da internação, o que reforça o papel do dermatologista na interconsulta hospitalar. Para o médico assistente, é relevante conhecer estas afecções mais comuns de modo a se preparar melhor para o manejo delas.