Tumor de Frantz associado a corpo estranho em uma mulher jovem: Um relato cirúrgico

Vol 2, 2022 - 157078
Relato de caso
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

INTRODUÇÃO: O tumor sólido pseudopapilar do pâncreas ou tumor de Frantz (TF) compreende 0,2 a 2,7? todos os tumores pancreáticos. Ocorre predominantemente em mulheres jovens, com pico de incidência entre os 20 e 30 anos. Sua clínica é composta por massa abdominal de crescimento lento, com ou sem dor abdominal. Apresenta baixo potencial de malignidade, embora alguns casos possam ser localmente agressivos e infiltrativos. Ao exame histológico, constitui massa sólida com estruturas pseudopapilares e pseudocísticas com rica microvasculatura. A ressecção cirúrgica da lesão constitui tratamento de escolha e apresenta prognóstico excelente, com sobrevida em 10 anos próxima de 100%. RELATO DE CASO: Mulher, 18 anos, atendida em ambulatório de cirurgia geral com queixa de dor abdominal há 3 meses. Refere dor intensa em pontada, de caráter difuso e sem irradiação para demais regiões, com períodos de melhora e piora. O exame físico não revelou anormalidades. A Tomografia Computadorizada mostrou pâncreas com dimensões aumentadas de cauda, com lesão cística complexa e bem delimitada, de dimensões 6,4 x 5,0 cm. Apresentava em seu interior septações finas e grosseiras, com realce ao contraste. Em adição, observou-se estrutura linear hiperdensa em borda posteromedial do lobo hepático esquerdo, compatível com corpo estranho. À laparotomia, foi realizada sua retirada e identificada como espinha de peixe. Em seguida, optou-se por pancreatectomia corpo-caudal associada à esplenectomia. Ao anatomopatológico, cavidade cística sem invasão angiolinfática ou necrose e com margens cirúrgicas livres, compatível com TF. À imuno-histoquímica, foi confirmada a impressão anatomopatológica de TF. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O TF é predominante em mulheres jovens, com sintomas inespecíficos e passível de achado incidental em exames de imagem. Apresenta excelente prognóstico associado à ressecção cirúrgica. Dentre as técnicas de escolha, opta-se frequentemente por pancreatectomia parcial associada ou não à esplenectomia. O diagnóstico definitivo requer análise histopatológica e pode ser apoiado pela imuno-histoquímica, com positividade marcante para as proteínas beta-catenina e vimentina.

Instituições
  • 1 Ufpi - Universidade Federal do Piauí
  • 2 HTI- Hospital de Terapia Intensiva
Eixo Temático
  • CIRURGIA
Palavras-chave
tumor de Frantz
pancreatectomia
pâncreas