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Resumo

INTRODUÇÃO: A Síndrome de Moebius (SM), definida como uma paresia ou paralisia congênita do VI e VII nervos cranianos (NC), está frequentemente associada à paralisia de outros nervos cranianos, anomalias craniofaciais e músculo-esqueléticas. A origem da SM não foi totalmente elucidada. No entanto, a teoria mais aceita sugere um mecanismo de insuficiência vascular em idade gestacional precoce. O objetivo deste trabalho é apresentar um caso de SM. RELATO DE CASO: M.N.P, masculino, 5 anos, estudante, foi encaminhado ao Hospital Getúlio Vargas com queixa de esotropia. Negava ter realizado oclusão, correção óptica, cirurgias prévias ou traumas. Ademais, referia ter nascido de parto cesariano, a termo, sem intercorrências na gestação. Apresentava pé torto congênito. Negava outros casos de esotropia familiar. Ao exame oftalmológico apresentava esotropia de grande ângulo com limitação de abdução de -6 em olho direito (OD) e -5 em olho esquerdo (OE), além da impossibilidade de fixação em Posição Primária do Olhar (PPO). Apresentava, também, fácies inexpressivas, dado seu quadro de associação de paralisia de VI e VII NC. Ademais, apresentava acuidade visual (sem correção) de 0,1 em ambos os olhos (AO), reflexos motores e consensuais normais, além de mapeamento de retina dentro dos padrões de normalidade em AO. A refração estática mostrou +0,50 Dioptria Esférica (DE) - 3,00 Dioptria Cilíndrica (DC) no eixo de 180º OD e +1,00 DE - 3,75 DC no eixo de 165º OE. Diante do quadro clínico, foi feita a hipótese diagnóstica de SM. Optou-se pela correção cirúrgica, sendo realizada a liberação dos músculos reto mediais em contratura e, após posicionar olho na PPO, fixou-se o reto medial nesta posição, cerca de 7,5 mm da inserção original. No pós-operatório, a acuidade visual com correção (cc) foi 0,3 em OE e 0,6 em OD. A conduta definida foi oclusão de OE 6 horas diárias. Após dois meses, apresentava acuidade visual cc de 0,5 OE e 0,6 OD. E, por fim, após 3 meses, a acuidade visual cc foi de 0,6 AO. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Dessa maneira, o caso exposto possui como principal hipótese diagnóstica a SM, dada a esotropia desde o nascimento, mediante inexistência de quadros oftalmológicos na história pregressa, associado a pé torto congênito, apesar de história gestacional sem intercorrências. Ademais, evidencia-se a importância do diagnóstico preciso, bem como o acompanhamento oftalmológico para emprego da terapêutica adequada, proporcionando qualidade de vida ao paciente.

Instituições
  • 1 Universidade Federal do Piauí
Eixo Temático
  • OFTALMOLOGIA
Palavras-chave
síndrome de moebius
oftalmologia
cirurgia oftalmológica.