Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

INTRODUÇÃO: O priapismo induzido por drogas é uma rara reação adversa a medicamentos, definido como uma ereção peniana prolongada e geralmente dolorosa com duração de mais de 4 horas e que não está relacionada à estimulação sexual. Metade do priapismo relacionado a drogas é atribuído ao uso de antipsicóticos (AP). Tal complicação decorre da ação bloqueadora a-adrenérgica dos AP e pode levar a complicações irreversíveis, como a disfunção erétil. RELATO DE CASO: Paciente 42 anos, masculino, com diagnóstico de esquizofrenia em 2010 fez uso de risperidona e olanzapina em tempo e doses máximos. Devido refratariedade dos sintomas psicóticos optou-se por clozapina 100 mg/dia até 300 mg/dia. Paciente evoluiu com melhora e no fim de 2015 dose foi reduzida gradualmente para 150mg/dia. Em junho de 2016 paciente apresentou ereção súbita e dolorosa, atendido em urgência por urologista quadro foi revertido 36 horas depois com injeção de adrenalina local (SIC) e a clozapina foi reduzida para 100 mg/dia, ainda assim ele teve outros episódios de priapismo com reversão espontânea. Em maio de 2018 paciente teve novo priapismo por 48 horas e foi internado para tratamento, a clozapina foi suspensa e após 15 dias olanzapina 10mg/dia foi iniciada, com 2 dias em uso ele teve priapismo. Optou-se então pela amissulprida 200 mg/dia mas paciente teve recidiva dos sintomas psicóticos: pensamento delirante persecutório, inanição e mutismo. Atendido em domicílio foi indicado eletroconvulsoterapia, após 6 sessões paciente melhorou e lurasidona 120 mg/dia foi introduzida. Alguns dias após o ocorrido, ele apresentou insônia, isolamento e inquietação, a clozapina 50 mg/dia foi reintroduzida associada a lurasidona 80mg/dia e urologista receitou atenolol 50mg/dia para prevenção do priapismo. O Paciente apresentou melhora, mas manteve episódios de ereções matinais dolorosas de curta duração. Em março de 2020, ele teve recidiva grave dos sintomas psicóticos por abandono de tratamento. Após internação por 20 dias teve alta em uso de lurasidona 80mg 2x/dia e levomepromazina 100mg/noite, mantém-se estável desde então. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Apesar de raramente acontecer, estima-se que 15- 26% dos casos de priapismo são associados ao uso de AP. Sua ocorrência pode levar a disfunção erétil permanente, causar danos físicos, emocionais e até abandono definitivo do tratamento. É necessária atenção à ocorrência desse evento para fornecer pronto suporte ao paciente caso ele ocorra.

Instituições
  • 1 Universidade Federal do Piauí
  • 2 Universidade Estadual do Piauí
  • 3 Centro Universitário UNINOVAFAPI
Eixo Temático
  • Psiquiatria
Palavras-chave
Priapismo
Antipsicóticos