Panorama clínico epidemiológico da hanseníase no estado do Piauí nos últimos 5 anos: uma análise transversal do período pré-pandêmico e pandêmico

Vol 2, 2022 - 157030
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Resumo

INTRODUÇÃO: A hanseníase é uma infecção crônica de alta contagiosidade e baixa letalidade causada pelo Mycobacterium leprae. O contágio ocorre pela inalação de bacilos por meio do contato prolongado com indivíduos acometidos. A OMS classifica a hanseníase conforme o índice baciloscópico, baseado no número de lesões cutâneas/troncos nervosos acometidos, em paucibacilares e multibacilares. Atualmente, o Ministério da Saúde-MS estabeleceu que o tempo de tratamento permanece o mesmo para cada classificação, porém, o novo esquema, poliquimioterapia única, determina que ambas as formas sejam tratadas com os mesmos medicamentos. No Brasil, a principal estratégia de combate foi o Programa Nacional da Hanseníase, em 2004, que visa controlar e eliminar a doença, com a capacitação de profissionais para uma busca ativa, ampliação do diagnóstico, diminuição da mortalidade e das sequelas desenvolvidas, por meio do avanço do tratamento. Com a pandemia do Covid-19, a detecção e o tratamento de doenças crônicas sofreram queda, inclusive a hanseníase, uma vez que a progressão da doença é lenta e não exige urgência hospitalar, diminuindo, assim, a notificação. OBJETIVOS: analisar e comparar o número de casos notificados de hanseníase e de lesões cutâneas, durante o período pré-pandêmico e pandêmico pelo COVID-19 (2017-2021). MÉTODOS: realizou-se um estudo ecológico, retrospectivo, de série temporal dos últimos 5 anos (2017-2021) no estado do Piauí, com dados anuais, em números absolutos, do sistema do Departamento de Estatísticas do Sistema Único de Saúde (Tabnet-DATASUS). RESULTADOS: observou-se no Piauí, de 2017 a 2021, um total de 5372 casos notificados de hanseníase, sendo o ano de 2020 com o menor número de registros, os resultados são os seguintes: 1343-2017, 1304-2018, 1159-2019, 714-2020 e 852-2021. Foram encontrados 51030 casos notificados de lesões cutâneas no período supracitado, sendo 10269-2017, 12720-2018, 12044-2019, 7372-2020 e 8625-2021. CONCLUSÃO: evidenciou-se que nos últimos 5 anos houve uma sutil queda nas notificações de hanseníase, bem como do número de lesões cutâneas, acompanhados de uma redução abrupta de quase 50% em 2020, seguido de um acréscimo em 2021. Em verdade, essa diminuição, de cerca de metade do número de casos, coincide com a pandemia, o qual pode estar relacionado com a subnotificação de casos devido ao inadequado manejo da Hanseníase, em que foi dado maior ênfase às notificações de morbimortalidade por COVID-19 em detrimento de outras.

Instituições
  • 1 Centro Universitário UNINOVAFAPI
  • 2 Universidade Federal do Piauí
Eixo Temático
  • Epidemiologia
Palavras-chave
Hanseníase
Epidemiologia
Pandemia.