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INTRODUÇÃO: A retenção urinária em mulheres é rara, e quando ocorre, geralmente está associado a presença de massa pélvica ou perineal que podem levar a um quadro obstrutivo. Patologias uterovaginais, como hímen imperfurado (HI), são capazes de predispor o desenvolvimento de hematocolpo e desencadear sintomas obstrutivos do trato genital e urinário feminino devido a compressão mecânica sobre a bexiga e uretra. DESCRIÇÃO DO CASO: Paciente sexo feminino, 13 anos, com quadro de dor pélvica progressiva e cíclica por 6 meses, evolui com retenção urinária aguda e bexigoma. Procurou hospital de urgência onde foi medicada com sintomáticos e passada sonda vesical de alívio. Negava febre, vômitos, perda de peso, constipação e outros sinais e sintomas associados. Ao exame físico apresentava em bom estado geral, consciente, afebril, acianótica. Abdome apresentava-se globoso, flácido, indolor a palpação, com presença de massa palpável, 5cm acima da cicatriz umbilical de contornos regulares, móvel, indolor a mobilização, depressível, sem sinais de peritonite. No exame ginecológico, mamas pequenas, pouco desenvolvidas, vulva trófica, sem lesões, com pilificação adequada para idade, genitália externa com presença de estrutura abaulada, arroxeada, se exteriorizando pela vagina. No toque vaginal notou-se solução de continuidade dessa protusão com mucosa vaginal, sendo esta depressível, impossibilitando a visualização do lúmen vaginal. Realizou-se tomografia computadorizada de abdome com contraste que evidenciou imagem de coleção líquida de parede levemente espessada e regular estendendo-se desde a região epigástrica até ao nível do canal vaginal, sugerindo a presença de hidrometrocolpos. Fechado o diagnóstico para hímen imperfurado, foi realizada abordagem cirúrgica sob raquianestesia com incisão cruciforme da estrutura abaulada e drenagem de volumosa quantidade de secreção espessa sanguinolenta (2300ml). Procedimento sem intercorrências, paciente evoluiu com melhoria imediata do quadro clínico e redução da massa abdominal recebendo alta 24 horas após a cirurgia. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O diagnóstico de hímen imperfurado é simples, mas exige atenção médica na realização de um exame físico detalhado, incluindo a avaliação dos genitais externos desde os primeiros dias de vida até à adolescência. A identificação precoce permitirá que a correção cirúrgica seja realizada antes que a paciente apresente sintomas evitando a morbidade associada a patologia.
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