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INTRODUÇÃO:A esquistossomose é uma doença endêmica parasitária disseminada a partir do contato direto com águas contaminadas pelo Schistosoma mansoni (Silva et al., 2021). Sabe-se que essa doença afeta classicamente os sistemas gastrointestinal / hepático, urogenital e cardiovascular, mas o sistema nervoso também pode ser lesado, sendo chamada de neuroesquistossomose, forma da doença que, embora rara, é considerada uma das mais graves. (Silva et al., 2021). RELATO DE CASO: Paciente foi admitida no hospital referindo lombalgia, com evolução para paresia de mmii, sem episódio prévio, e dificuldade de deambulação. SSVV: FC=78 bpm, FR: 16 IRPM; Tax: 36,7; SPO2 99%; PA 140/99 MMHg, Glasgow 15, tendo como possível diagnóstico síndrome de guillain-barré. Paciente evoluiu com perda de força e ausência de controle esfincteriano urinário e ao exame físico, foi referido arreflexia do reflexo patelar bilateralmente e reflexo aquileu bilateralmente, paraparesia crural (Força grau II) e perda de sensibilidade a nível de T10. Foi solicitado TC de Coluna Lombar e dorsal, que apresentou espondilodiscopatia degenerativa lombar e espondilodiscoartropatia degenerativa dorsal incipiente. Foi solicitado ainda eletroneuromiografia que apresentou sinais sugestivos de afecção pré-ganglionar lombosacral acometendo níveis de L2/L3/L4 e comprometimento motor, evidenciando uma neuropatia sensitiva-motora, de natureza desmielinizante, em ambos os nervos medianos de punho de grau acentuado bilateral, tendo como hipótese mielopatia. Com a ausência de diagnóstico, foi solicitado RM de coluna lombar e dorsal, que apresentou alteração de nível e espessamento do cone medular, cujo padrão pode ser observado na esquistossomose medular. Desse modo, foi solicitado Praziquantel para iniciar tratamento anti-parasitário e Prednisona como corticoide. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Como o ambiente em que a paciente vivia apresentava uma endemia para tal parasitose, além da exclusão de outros diagnósticos, e pelos achados clínicos compatíveis com descritos na literatura, estabeleceu-se como provável diagnóstico a Esquistossomose Medular. Outrossim, não há consenso definitivo sobre a terapia na neuroesquistossomose. Drogas esquistossomicidas, esteroides e cirurgias são atualmente os tratamentos disponíveis para a neuroesquistossomose. O praziquantel é uma droga esquistossomicida de amplo espectro que mata o verme fêmea adulto, resultando em cura parasitológica em 70-90% dos pacientes. (Carod-Artal, 2008).
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