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Resumo

INTRODUÇÃO: Aspergilose cerebral é uma infecção invasiva por fungos do gênero Aspergillus, de ocorrência rara, com incidência anual de 12 casos por 1.000.000 habitantes, comumente associada a imunossupressão. Em decorrência de uma apresentação clínica inespecífica, o diagnóstico geralmente é tardio, e na ausência de tratamento a mortalidade atinge 90% dos acometidos. O objetivo deste relato é apresentar um caso de aspergilose cerebral em um paciente imunocompetente. RELATO DE CASO: Masculino, 58 anos, carpinteiro, procedente de Brasileira - PI. Há 6 meses iniciou quadro de cefaleia, confusão mental, tremores de ação em membros superiores e dois episódios convulsivos tônico-clônicos generalizados, sendo admitido em hospital terciário para investigação. Hipertenso há 3 anos, sem demais comorbidades. Negou tabagismo, etilismo, abuso de drogas ou infecções prévias. Ao exame neurológico, Glasgow 15, fásico, pupilas isofotorreagentes e ausência de déficits motores. Apresentava laboratório com provas inflamatórias normais e sorologias virais não reagentes. Ressonância nuclear magnética (RNM) de crânio evidenciou lesão expansiva sólida extra-axial com realce heterogêneo pelo contraste, em região frontobasal mediana, infiltrando os planos meníngeos e estendendo-se às células etmoidais adjacentes, medindo 5 x 3,5 x 3,3 cm, além de coleções com hipersinal em T2, hipossinal em T1, apresentando restrição a difusão, medindo 1,0 e 3,7 cm cada, com edema no parênquima cerebral adjacente. Foram aventadas as hipóteses de neoplasia do sistema nervoso central, abcesso cerebral, mucormicose e neurotoxoplasmose. Em virtude da ausência de fatores de risco e de achados específicos, optou-se por biópsia excisional. O histopatológico evidenciou alterações sugestivas de infecção, como provável meningoencefalite fúngica, que corroborou com a cultura do material positiva para Aspergillus spp., fechando o diagnóstico de aspergilose cerebral. Foi iniciado tratamento com anfotericina B lipossomal, seguido de melhora gradativa do quadro. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Em face ao exposto, percebe-se como as manifestações neurológicas inicialmente inespecíficas para o quadro de aspergilose cerebral podem gerar uma série de diagnósticos diferenciais. Nesse sentido, estar atento a condições mais raras na prática médica é um fator que pode ser determinante para a definição clínica e, por consequência, uma terapêutica adequada com impacto significativo no prognóstico dos pacientes.

Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Piauí
  • 2 Universidade Federal do Piauí
  • 3 Hospital Getúlio Vargas
Eixo Temático
  • DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS
Palavras-chave
Aspergilose
Infecção fúngica invasiva
Paciente imunocompetente
Sistema Nervoso Central