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INTRODUÇÃO:O câncer de pulmão foi diagnosticado em cerca de 2,2 milhões de pessoas em 2020. A maioria dos pacientes apresentam doença neoplásica avançada ao diagnóstico, em que os sintomas e achados de exames podem ser decorrentes de efeitos locais do tumor, de disseminação regional ou à distância, ou de síndromes paraneoplásicas. Dentre as neoplasias pulmonares, o adenocarcinoma é o tipo mais comum. O objetivo deste trabalho é discutir um caso de adenocarcinoma mucinoso invasivo. RELATO DE CASO:Homem, 71 anos, ex-lavrador, em tratamento para micobacteriose não tuberculosa (MNT) há cerca de 10 meses. Paciente foi internado para reavaliação devido a piora do quadro, com relato de acentuação da tosse produtiva, com escarro esbranquiçado, associado a dispneia, dor torácica esporádica e febre aferida há 2 semanas. Nega perda ponderal ou hemoptise. Portador de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, em uso de losartana e metformina. Utilizava rifampicina 460mg, etambutol 400mg e claritromicina 500mg para tratamento de Mycobacterium lentiflavum. Família nega histórico de tabagismo ou outras comorbidades. Ao exame físico, apresentava-se em regular estado geral, consciente, orientado, emagrecido, saturando 94% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular reduzido em base direita, sem ruídos adventícios. Apresentava cultura de escarro negativa para tuberculose, mas positiva para M. lentiflavum na amostra do lavado broncoalveolar.As hipóteses para piora do quadro seriam devido à MNT, pneumonia ou neoplasia pulmonar. Realizado novo teste do escarro, assim como pesquisa no lavado broncoalveolar para TRM-TB e BAAR, com resultado negativo. Tomografia de tórax realizada durante a internação revelou consolidações parenquimatosas heterogêneas localizadas no segmento posterior do lobo superior direito, nos segmentos lingulares do lobo superior esquerdo e nos lobos inferiores. Realizada biópsia que evidenciou adenocarcinoma mucinoso invasivo. Paciente seguiu de alta com melhora clínica, com prescrição de levofloxacina 500mg e claritromicina 500mg, ambas 1 vez ao dia, e foi encaminhado à oncologia para seguimento. O tratamento para MNT foi mantido sem alterações. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Trata-se de um caso de relevante interesse devido a apresentação atípica do adenocarcinoma mucinoso invasivo, em que só foi realizado o diagnóstico após reavaliação do paciente devido a piora do seu quadro clínico, que não foi resultado da infecção prévia por MNT.
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