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INTRODUÇÃO: Micoses fungoides configuram um tipo de linfoma cutâneo de células T que pode se manifestar de diversas formas. Isso torna seu diagnóstico difícil, já que algumas variantes atípicas podem ser confundidas clínica e histologicamente com diversas doenças inflamatórias da pele. A maioria dos pacientes que a desenvolvem pertencem ao sexo masculino e idade média de 46 a 59 anos. RELATO: Paciente, sexo feminino, 43 anos, sem comorbidades, compareceu a serviço de referência em dermatologia com queixa de lesões na pele há cerca de oito anos. Ao exame físico, apresentava múltiplas lesões em placa de coloração acastanhada escamosas distribuídas pela superfície corpórea, principalmente no tronco, e membros, além de dores articulares, que juntas favoreceram o possível diagnóstico de Psoríase. Foi realizada biópsia e análise histopatológica de uma das lesões e o achado foi Dermatite Crônica Psoriasiforme, indicando o diagnóstico de Psoríase Vulgar Crônica. Logo, a paciente iniciou o tratamento com trocas sucessivas de drogas nos meses seguintes, sem resolução do quadro. Em julho de 2021, a paciente havia suspendido o tratamento por conta própria e retornou ao ambulatório eritrodérmica, com inúmeras placas e nódulos infiltrados predominando em membros superiores e inferiores, tronco e madarose distal. A partir dessa apresentação clínica chegam-se às hipótese de Micose Fungóide ou Hanseníase, sendo solicitados exame de baciloscopia e nova biópsia e histopatológico. O diagnóstico de Hanseníase foi excluído pela baciloscopia negativa. A nova biópsia e análise histopatológica indicaram dermatite espongiótica crônica. Foi feita uma revisão da lâmina, com cortes histológicos mais profundos, que indicou Micose Fungóide Foliculotrópica. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Dada a ampla variedade clínica, fechar diagnóstico de micose fungóide foliculotrópica pode ser desafiador e frequentemente pode incorrer em múltiplas correlações clinicopatológicas, de modo que os principais diagnósticos diferenciais incluem dermatose inflamatória com envolvimento inflamatório dos folículos pilosos, como líquen plano pilar. O tratamento é sintomático e inclui o uso de PUVA (fotoquimioterapia) combinada com interferon alfa-2a e retinóides, irradiação total do corpo por feixe de elétrons, e radioterapia local em caso de tumores persistentes. Neste caso, a paciente passou por muitos tratamentos sem respostas consistentes antes de fechar o diagnóstico correto, quando já estava em fase mais avançada.
ReferênciasHODAK, Emmilia; AMITAY-LAISH, Iris. Mycosis fungoides: a great imitator. Clinics In Dermatology, v. 37, n. 3, p. 255-267, maio 2019. Elsevier BV MITTELDORF, C. et al. Folliculotropic mycosis fungoidesJDDG: Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, 2018. Disponível em: HODAK, Emmilia; AMITAY-LAISH, Iris. Mycosis fungoides: a great imitator. Clinics In Dermatology, v. 37, n. 3, p. 255-267, maio 2019. Elsevier BV
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