PERFURAÇÃO INTESTINAL ESPONTÂNEA EM LOCALIZAÇÃO ATÍPICA NO RECÉM NASCIDO – RELATO DE CASO.

Vol 1, 2021 - 139469
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: A perfuração intestinal espontânea (PIE) é uma afecção de etiologia desconhecida que se apresenta com perfuração focal de um seguimento intestinal do recém-nascido (RN), particularmente no íleo distal. O principal fator de risco é a prematuridade associada ao baixo peso ao nascer, com incidência estimada de 5-6%. Apesar de já ter sido interpretada como uma variante da enterocolite necrosante (ECN), hoje é aceita como uma entidade clínica distinta, se diferenciando em aspectos clínicos, radiológicos e cirúrgicos. RELATO DE CASO: RN nascido de 32 semanas, masculino, 1700 gramas, cesariana por pré-eclâmpsia grave, centralização fetal e anidramnio, APGAR 6 e 8. Ao nascer, encaminhado à unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) por desconforto respiratório. Iniciado tratamento para sepse tardia, apesar das investigações laboratoriais normais. Após quatro dias de internação, sem piora clínica ou radiológica, identificado pneumoperitôneo à radiografia de abdome. Submetido à laparotomia exploradora: identificado perfuração localizada em jejuno proximal, cerca de 15 cm do ângulo de Treitz, acometendo menos de 50? luz intestinal. Ausência de sinais de isquemia, necrose ou obstrução em todo o restante do trato gastrointestinal avaliado. Optado por biopsia e enterorrafia da lesão, devido à localização. O laudo histopatológico sugere processo inflamatório agudo localizado, de etiologia desconhecida. Após a cirurgia, evoluiu com normalização radiológica, abdome sem distensão, sem vômitos nem febre. Extubado no 7º dia pós-operatório, com boa aceitação da dieta, com progressão gradual do volume. Alta hospitalar após 34 dias de internação, sendo 13 dias de internação na UTIN, com dieta plena e pesando 1920 gramas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O diagnóstico diferencial da PIE pode ser feito pela presença de achados clínicos, radiológicos, cirúrgicos e anátomopatológicos típicos de ECN, caracterizando um quadro progressivo e grave. O tratamento está diretamente relacionado ao local da perfuração e ao grau de peritonite. Sinais de contaminação grosseira da cavidade e perfurações baixas são melhor conduzidos através de uma ostomia. Já em pacientes sem sinais de peritonite ou em lesões mais próximas ao ângulo de Treitz, as complicações relativas à ostomia alta justificam a enterorrafia. Diante de uma distensão abdominal rapidamente progressiva em um RN prematuro e de baixo peso, devemos sempre pensar em PIE e prontamente buscar o melhor tratamento possível.

Referências

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Instituições
  • 1 UNINOVAFAPI
Eixo Temático
  • CIRURGIA
Palavras-chave
Perfuração intestinal
recem-nascidos
ileo distal