PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE ÓBITOS POR AUTO-INTOXICAÇÃO CAUSADOS PELO USO INTENCIONAL DE SUBSTÂNCIAS NO PIAUÍ ENTRE 2015 E 2019

Vol 1, 2021 - 139410
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Resumo

INTRODUÇÃO: Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as intoxicações são um agravo de Saúde Pública. Estima-se que 1,5 a 3? população é intoxicada anualmente, acidental ou intencionalmente (ZAMBOLIM, 2008), de modo que a auto-intoxicação, até 2020, ocupava o segundo lugar nas estatísticas de mortalidade no Brasil (BOCHNER, 2020). OBJETIVO: Traçar o perfil epidemiológico de óbitos por auto-intoxicações causadas pelo uso intencional de substâncias no Piauí entre 2015 e 2019. MÉTODO: A pesquisa foi feita através da plataforma de dados TABNET do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde - DATASUS (BRASIL, 2021), pela categoria “óbitos por causas externas” e abrangência geográfica no Piauí. Foram fixados os itens “categoria CID-10” e “óbitos por ocorrência”. As variáveis utilizadas foram “sexo”, “faixa etária” e “estado civil”; e os “períodos disponíveis” variaram de 2015 a 2019. As coletas restringiram-se aos resultados correspondentes aos CID-10 de X60 a X69. RESULTADOS: No período delimitado, foram identificados 158 óbitos por intoxicação exógena intencional, sendo 58,23?stes correspondentes ao sexo masculino. Segundo a faixa etária, 28,48% tinham entre 30 e 39 anos, 22,74% entre 20 e 29 anos e 17,72% entre 40 e 49 anos. No que diz respeito ao estado civil, 49,37% dos óbitos ocorreram em pessoas solteiras, 22,78% em pessoas casadas, 3,16% em viúvos e 2,53% em divorciados. As formas mais utilizadas de auto-intoxicação intencional que evoluiram para óbito foram, em ordem decrescente: exposição a pesticidas (41,77%), exposição a outros produtos químicos e substâncias nocivas não-especificadas (24,6%), uso de drogas, medicamentos e substâncias biológicas (15,82%), uso de drogas anticonvulsivantes, hipnóticos, antiparkinsonianos e psicotrópicos (11,39%). CONCLUSÃO: A predominância masculina confirma o fato de que os homens, por geralmente optarem por métodos mais letais, efetivam com mais frequência as tentativas de suicídio. Sendo os jovens adultos e adultos as faixas etárias dominantes, é possível correlacionar essa ocorrência à instabilidade característica de uma idade com fortes cobranças sociais. Ademais, indivíduos solteiros foram mais acometidos, refletindo o fator protetor da relação conjugal no suicídio. O método de auto-intoxicação mais utilizado foi a exposição a pesticidas, sendo possível inferir que se deve aos altos índices de produção agrícola no estado e à maior facilidade de acesso ao pesticida em relação às demais substâncias.

Referências

BOCHNER, Rosany et al. Análise dos óbitos decorrentes de intoxicação ocorridos no Brasil de 2010 a 2015 com base no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, ano 2020, v. 25, n. 2, p. 761-772. BRASIL. Ministério da Saúde. Banco de Dados do Sistema Único de Saúde-DATASUS. Disponível em: . Acesso em out. 2021. ZAMBOLIM, Cristiane et al. Perfil das intoxicações exógenas em um hospital universitário. Revista Médica de Minas Gerais, Minas Gerais, ano 2008, v. 18, n. 1, p. 5-10, 30 set. 2021.

Instituições
  • 1 Centro Universitário Uninovafapi (Teresina-Piauí)
Eixo Temático
  • EPIDEMIOLOGIA
Palavras-chave
Perfil Epidemiológico
Intoxicação
Suicídio