PAPILOMATOSE CONFLUENTE E RETICULADA DE GOUGEROT-CARTEAUD: DESAFIO DIAGNÓSTICO E SUCESSO TERAPÊUTICO COM AZITROMICINA

Vol 1, 2021 - 139466
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: Papilomatose confluente e reticulada de Gougerot-Carteaud (PCR) é uma genodermatose da ceratinização, de etiologia ainda desconhecida. As principais teorias incluem gatilho bacteriano por Dietzia papillomatosis, resposta cutânea exacerbada ao P. orbiculare, distúrbios endócrinos relacionados à resistência insulínica, mudança epidérmica induzida por luz ultravioleta, deposição amiloide e mutação na queratina 16. Caracteriza-se por pápulas e placas hiperceratósicas, hiperpigmentadas, com reticulação periférica no tronco (tórax, abdômen e dorso) que, ocasionalmente, estendem-se a outras regiões. Achados histopatológicos são inespecíficos e incluem hiperceratose, acantose, papilomatose e infiltrado linfocitário perivascular superficial. Os diagnósticos diferenciais incluem acantose nigricans, pitiríase versicolor, disceratose congênita, amiloidose macular, terra firma-forme, doenças de Darier, de Dowling-Degos e de Galli-Galli. Embora o uso de ceratolíticos, retinoides ou antifúngicos tópicos e isotretinoína, acitretina e antifunficos orais seja relatado, a terapêutica com minociclina e azitromicina – com ação antiinflamatória, antibacteriana e imunomoduladora - vem sendo preferida. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 19 anos, estudante, sem comorbidades, procedente de Timon-MA, com queixa de “manchas no peito”, há 3 anos. Relatou que em 4 consultas prévias recebeu diagnóstico de pitiríase versicolor e usou imidazólicos (itraconazol, terbinafina e cetoconazol oral associados a cetoconazol e miconazol tópicos), sem melhora. Ao exame apresentava micropápulas hipercrômicas, ceratósicas, confluindo em placas acastanhadas no tórax, abdômen superior e região cervical. O histopatológico evidenciou epiderme com leve papilomatose, acantose, hiperceratose e discreto infiltrado inflamatório mononuclear perivascular na derme, corroborando com a hipótese clínica de PCR. Foi prescrito Azitromicina (500mg uma vez ao dia por 3 dias consecutivos na semana, por 6 semanas) e fórmula de Ureia 10%+ Lactato de amônio 12% em creme. Após 8 semanas, retornou com remissão completa. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Apesar de ser dermatose rara e benigna, saber reconhecer a PCR é fundamental para evitar diagnósticos e tratamentos equivocados e dispendiosos, que geram uma certa ansiedade aos pacientes. Neste caso, as características clínicas e achados histopatológicos foram típicos e houve resposta favorável à administração da azitromicina oral, terapia segura e de baixo custo.

Referências

Nunes de Mattos AB, Brummer CF, Funchal GD, Nunes DH. Use of methotrexate in an exuberant case of confluent and reticulated papillomatosis of Gougerot and Carteaud in a teenager. An Bras Dermatol. 2019;94:717–20. Lim JH, Tey HL, Chong W. Confluent and reticulated papillomatosis: diagnostic and treatment challenges. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2016;9:217-223 https://doi.org/10.2147/CCID.S92051 Lee SW, Loo CH, Tan WC. Confluent and reticulated papillomatosis: Case séries of 3 patients from Kedah, Malaysia and literature review. Med J Malaysia. 2018; 73: 338-9. Chen, Amy Y-Y. Confluent and reticulated papillomatosis. Up To Date. 2020. Basu, Pallavi; Cohen, Philip R. Confluent and Reticulated Papillomatosis Associated with Polycystic Ovarian Syndrome. Cureus 11(1): e3956. 2019.

Instituições
  • 1 Centro Universitário Uninovafapi
Eixo Temático
  • DERMATOLOGIA
Palavras-chave
Papilomatose
rara
genodermatose