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Resumo

INTRODUÇÃO: A paniculite Lúpica (PL) é uma variante rara do lúpus eritematoso sistêmico (LES) de difícil diagnóstico. É caracterizada pela presença de nódulos endurecidos subcutâneos erimatosos dolorosos ou por placas localizadas em áreas ricas de tecido adiposo. Sua evolução pode levar à lipoatrofia e calcinose com desfiguração grave. Esse trabalho visa relatar um caso de PL, doença rara e pouco descrita em literatura. RELATO DE CASO: Paciente feminina, 49 anos compareceu ao ambulatório de dermatologia encaminhada pelo reumatologista com queixa de nódulos dolorosos em membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII) há 8 meses. Trazia alguns exames laboratoriais, chamando atenção um FAN reagente. Sabidamente portadora de artrite reumatoide com bom controle da doença. Ao exame físico, apresentava-se em regular estado geral com nódulos de aproximadamente 1,5 cm, fixos, endurecidos e dolorosos em MMSS e MMII. Apresentava, também, nessa região, abaulamentos fixos, endurecidos, normocrômicos e dolorosos. Nos joelhos, havia manchas arroxeadas e dolorosas a palpação de bordas não delimitadas. Optou-se pela biopsia incisional que revelou paniculite lobular com vasculite associada, caracterizada por infiltrado inflamatório misto com presença de neutrófilos, extensa necrose e vasculite associada. Na derme superior e profunda apresentava moderado infiltrado misto perivascular e a epiderme apresentava hiperceratose e focos de degeneração vacuolar. Diante desse resultado, viu-se a necessidade da realização de pesquisa de BAAR e fungos para descartar outras causas de paniculite. O laudo complementar resultou em pesquisa negativa para BAAR e fungos, fechando o diagnóstico de PL. Assim, iniciou-se hidroxicloroquina 400 mg. Paciente respondeu bem ao medicamento com melhora do quadro e regressão das lesões. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Diante do exposto, o LES, embora raro, pode ter acometimento cutâneo. A primeira suspeita foi, de fato, de PL, mas devido sua raridade, houve necessidade de descartar causas: turberculínicas (eritema induratum) e causas fúngicas. Logo, destaca-se a relevância das etapas do processo investigativo. O histopatológico foi decisivo para o diagnóstico, pois mostrou características marcantes da PL. Assim, a terapia com hidroxicloroquina foi eficaz, pois mostrou melhora do quadro dermatológico.

Referências

BERBERT, Alce Luiz Camargo Villela; MANTESE, Sônia Anttunes de Oliveira. Lúpus eritematoso cutâneo: aspectos clínicos e laboratoriais. An. Bras. Dermatol, v.80, n. 2, 2015. CASTRILLÓN, María Adriana; MURRELL, Dédée F. Lúpus profundo limitado a um local de trauma: relato de caso e revisão da literatura. Int J Dermatol Womens, v 3, n. 2, p. 117-120, 2017. GONZÁLEZ-CRUZ, Carlos, et al. Paniculite lúpica: características clínico-patológicas de uma série de 12 pacientes. Med Clin (Barc), v. 151, n. 11, p. 444-449, 2018. RANGEL, Lauren K, et al. Características clínicas da paniculite / profundidade do lúpus eritematoso: uma revisão retrospectiva de 61 pacientes, JAMA Dermatol, v. 156, n. 11, p. 1264-1266, 2020.

Instituições
  • 1 CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINOVAFAPI
Eixo Temático
  • DERMATOLOGIA
Palavras-chave
Paniculite de Lúpus Eritematoso
Lúpus eritematoso cutâneo
Dermatologia