Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

INTRODUÇÃO: A obstrução dos ductos biliares extra-hepáticos é a causa mais comum de colestase neonatal. Embora relacionada a muitos distúrbios infecciosos ou mecânicos, a atresia de vias biliares e a hepatite neonatal são responsáveis pela maioria dos casos. A Síndrome da Bile espessa, etiologia rara de hiperbilirrubinemia direta, refere-se à obstrução dos ductos biliares extra-hepáticos pela lama biliar em pacientes com via biliar anatomicamente normal. Em geral, é uma causa de icterícia obstrutiva em recém nascidos (RN), corrigível cirurgicamente ou não. RELATO DE CASO: Masculino, 40 semanas, APGAR 9 e 10. Apresentou icterícia no 3° dia de vida (ddv) e foi reinternado no 5º ddv com suspeita de kernicterus e sepse. Exames laboratoriais mostraram hiperbilirrubinemia indireta e leucocitose. Exame físico evidenciou hepatomegalia discreta e eliminações fisiológicas normais. Tratou com fototerapia até o 9° ddv, permanecendo ictérico. Nesse período, hemocultura foi positiva para S. haemolyticus, tratado com oxacilina e amicacina por 7 dias, com resolução do quadro infeccioso. No 10º ddv, Ultrassonografia (US) de vias biliares evidenciou presença de lama biliar, iniciando-se a investigação da causa base. No 15º ddv, evoluiu com colestase, acolia fecal e US apresentando vesícula tumefeita. Colangiorressonância identificou presença de bile espessa nos ductos biliar comum, cístico e colédoco, causando leve dilatação das vias biliares a montante. Discutido com gastropediatra e optado pelo tratamento conservador, com uso de ácido ursodesoxicólico, uma vez que clinicamente estável e sem sinais de colangite. Após 7 dias de uso da medicação os níveis de bilirrubina reduziram, as fezes ficaram coradas e o US de controle evidenciou via biliar pérvia e pequena quantidade de lama biliar na vesícula. Desse modo, optado pelo seguimento ambulatorial. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O diagnóstico da Bile-Plug Syndrome é sugerido através da US das vias biliares ou colangiopancreatografia por ressonância nuclear magnética e confirmado por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. Procedimentos cirúrgicos terapêuticos foram descritos na literatura, como retração do tampão biliar via duodenostomia/papilotomia e irrigação intra-operatória do sistema biliar com soro fisiológico ou mucolíticos. Porém, apesar de rara, essa síndrome pode ter resolução espontânea. O tratamento conservador mostrou-se eficaz e abre portas para uma abordagem menos invasiva em casos sem colangite.

Referências

Barbosa, Aldo Benjamim Rodrigues et al. Espessamento parietal da vesícula biliar no exame ultrassonográfico: como interpretar?. Radiologia Brasileira [online]. 2011, v. 44, n. 6 [Acessado 2 Outubro 2021] , pp. 381-387. Disponível em: . Epub 04 Jan 2012. ISSN 1678-7099. https://doi.org/10.1590/S0100-39842011000600010. Ferreira, Adilson Cunha et al. Fatores de risco clínicos e ultra-sonográficos relacionados à litíase vesicular assintomática em mulheres. Radiologia Brasileira [online]. 2004, v. 37, n. 2 [Acessado 2 Outubro 2021] , pp. 77-82. Disponível em: . Epub 31 Maio 2004. ISSN 1678-7099. https://doi.org/10.1590/S0100-39842004000200004. Watanabe Y, Nagayama M, Okumura A, et al. MR imaging of acute biliary disorders. Radiographics. 2007;27:477-95. Champion V et al. Risk factors for developing transient neonatal cholestasis. JPGN 2012; 55 (5): 592-8. Abrams S, et al. Approach to neonatal cholestasis. Last Updated Jul, 2021. Acessível em: http://www.uptodateonline.com

Instituições
  • 1 UNINOVAFAPI
Eixo Temático
  • CIRURGIA
Palavras-chave
BILE-PLUG SYNDROME
COLESTASE
CIRURGIA PEDIATRICA