MALFORMAÇÃO UTERINA: ÚTERO DIDELFO ASSOCIADO À AGENESIA RENAL E URETERAL UNILATERAL EM PACIENTE ATENDIDA NA MATERNIDADE DONA EVANGELINA ROSA EM TERESINA-PIAUÍ

Vol 1, 2021 - 139460
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: O útero didelfo é uma malformação uterina congênita relacionada a alterações da embriogênese até a 12ª semana da vida fetal por defeitos na fusão dos canais de Müller ou reabsorção do septo inter-Müleriano. Tem etiologia pouco esclarecida; sua incidência e prevalência é complexa. As manifestações clínicas ocorrem habitualmente na puberdade com alterações menstruais ou na idade adulta por eventos reprodutivos como: abortamento, parto prematuro, gestação de alto risco e/ou esterilidade; podem associar-se a alterações do aparelho urinário. A ultrassonografia pélvica transvaginal (USTV), histeroscopia, histerossalpingografia (HSG), laparoscopia e a ressonância magnética são meios complementares de diagnóstico. O diagnóstico e a sua individualização indicarão a forma de tratamento para cada tipo de anomalia. RELATO DE CASO: SAS, 19 anos, procurou ginecologista referindo leucorreia purulenta e resistente aos tratamentos realizados. Menarca aos 12 anos, menstruações regulares; gesta zero. Exame físico geral normal. Exame ginecológico: genitália externa sem alterações; exame especular: colo uterino trófico com orifício externo de 0.5 cm de diâmetro, localizado à direita do fundo de saco vaginal; à esquerda, havia outro orifício ou pertuito por onde drenava continuamente conteúdo purulento fétido; o toque vaginal foi inconclusivo; a USTV mostrou espessamento endometrial duplo em cornos separados sugerindo útero didelfo; a HSG mostrou apenas o corno direito; não sendo possível visualizar o corno esquerdo pela impossibilidade de canalizar o orifício fistuloso vaginal; a agenesia renal e ureteral esquerda foi vista pela urografia excretora. Concluiu-se pelo diagnóstico de útero didelfo com ausência de colo típico no corno esquerdo que unia-se à vagina através de um conduto fistuloso. Decidiu-se pela exérese cirúrgica do corno esquerdo e parte do trajeto fistuloso que finalizava na vagina uma vez que poderia ser a causa da infecção vaginal contínua e recidivante. A cirurgia confirmou os achados; posteriormente, a paciente retornou relatando o desaparecimento da sua queixa. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O presente caso é uma rara anomalia uterina associada a agenesia renal e ureteral em paciente jovem com ciclos menstruais normais e sem futuro reprodutivo definido. A opção cirúrgica teve indicação profilática/terapêutica pela possibilidade de infecção pélvica ascendente através do canal fistuloso vagina-corno uterino esquerdo já infectado.

Referências

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Instituições
  • 1 UNIFACID - WYDEN
Eixo Temático
  • GO/MASTOLOGIA
Palavras-chave
Útero didelfo
anomalia uterina
anomalias Mülerianas
agenesia renal e ureteral