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INTRODUÇÃO: A pandemia de SARS-CoV-2 forçou uma reorganização do Sistema Único de Saúde (SUS) desde a Atenção Primária à Saúde (APS) até o todo o Sistema Hospitalar. Essa ação, que foi tão necessária para enfrentamento da pandemia, tem impacto de dimensão ainda incerta, notadamente em doenças crônicas não degenerativas (DCNT) e as linhas de cuidado continuado estabelecidas dentro da APS. No caso do Diabetes, essa reorganização tem potencial para atingir, principalmente, as estratégias de rastreio e triagem da doença para prevenção de eventos cardiovasculares, e o cuidado continuado estabelecido para esse agravo. Diante disso, há necessidade de analisar esse impacto para propor políticas de saúde adequadas, principalmente para o momento pós-pandemia. OBJETIVOS: Este estudo busca analisar o impacto da pandemia no cuidado ao diabético na atenção básica do estado do Piauí. MÉTODOS: Trata-se de um estudo descritivo, utilizando-se os dados disponíveis no Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB). Coletou-se dados relativos a consultas agendadas ou programadas/cuidado continuado de cada região de saúde do estado, com a diabetes como condição avaliada. Esse dado se refere a ações programáticas individuais, voltadas para doenças e agravos prioritários, notadamente diabetes e hipertensão, onde é realizado o acompanhamento do paciente e a avaliação da sua condição. Construiu-se tabelas e gráficos, relativos à variável mencionada, que compararam o ano de 2020 e os primeiros 8 meses de 2021 com a média dos anos de 2017 a 2019. RESULTADOS: Houve queda de 34,87% nas consultas do estado, com as regiões Entre Rios e Vale do Sambito apresentando as maiores quedas (53,07?9,85%). Foi possível perceber uma queda sustentada entre março de 2020 e agosto de 2021, superiores a 50% entre abril e agosto de 2020. Além disso, observou-se impacto diferencial em cada sexo, com redução nos atendimentos de 31,89% em homens e 36,12% em mulheres em 2020. CONCLUSÃO: Temos indícios de comprometimento nos atributos da atenção básica, como na atenção integral, na longitudinalidade e na coordenação do cuidado, além de prejuízos nas estratégias de prevenção de eventos cardiovasculares e na adesão ao tratamento. A principal limitação versa quanto aos dados do SISAB carecerem de auditoria e controle de dados, pois os dados são apenas informados pelos municípios e publicados no sistema. Dessa maneira, o real impacto será conhecido com estudos epidemiológicos posteriores.
ReferênciasWHO. THE IMPACT OF THE COVID-19 PANDEMIC ON NONCOMMUNICABLE DISEASE RESOURCES AND SERVICES. [S. l.: s. n.], 2020. E-book. WHO. Pulse survey on continuity of essential health services during the COVID-19 pandemic: interim report, 27 August 2020. [S. l.: s. n.], 2020. E-book. MEDINA, Maria Guadalupe, et al. Atenção primária à saúde em tempos de COVID-19: o que fazer?. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 36, n. 8, e00149720, jun. 2020. Disponível em: http://cadernos.ensp.fiocruz.br/csp/artigo/1140/atencao-primaria-a-saud…. acessos em 01 ago. 2021. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00149720. LIMA-COSTA, Maria Fernanda; BARRETO, Sandhi Maria. Tipos de estudos epidemiológicos: conceitos básicos e aplicações na área do envelhecimento. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 12, n. 4, p. 189-201, dez. 2003. Disponível em . http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742003000400003
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