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INTRODUÇÃO: O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no mundo. No Brasil, essa doença foi responsável por 16.724 óbitos em 2017. Potencializando sua elevada incidência e mortalidade, a pandemia da SARS-CoV-2 reorganizou o Sistema Único de Saúde (SUS), em especial a Atenção Básica, gerando efeitos adversos que desestruturaram vários cuidados em saúde. No caso do câncer de mama, isso atinge principalmente o rastreamento e a triagem da doença, o que promove um impacto direto na redução da mortalidade e nos custos para o sistema de saúde. OBJETIVOS: Analisar o impacto da pandemia de COVID-19 no rastreamento do câncer de mama na atenção primária do Brasil por estado MÉTODOS: Este é um estudo descritivo, realizado com dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB). Foram coletados dados relativos ao rastreamento do câncer de mama de cada estado brasileiro e de determinadas faixas etárias. Construiu-se, então, no software Microsoft Excel® tabelas e gráficos relativos às variáveis mencionadas, comparando 2020 com a média dos anos de 2017 a 2019. RESULTADOS: Observou-se no presente estudo uma redução significativa (44,01%) no número de rastreamentos de câncer de mama no ano de 2020 (1.052.494), ano de início da pandemia, em comparação com a média anual de rastreamentos realizados entre os anos de 2017 e 2019 (1.879.926,67). Ao analisar individualmente cada estado, três se destacaram quanto à queda nos rastreamentos, sendo estes Rondônia (86,80%), Sergipe (72,06%) e Rio de Janeiro (70,70%). Analisando a quantidade de rastreamentos por mês, foi constatado que os meses de abril, maio e junho apresentaram as quedas mais acentuadas, de 88,56%, 79,38?6,44%, respectivamente. Além disso, houve queda sustentada acima de 50% entre os meses abril e agosto. Ao organizar os dados por faixa etária, observou-se uma queda nos rastreamentos de 39,11% na faixa de 50 a 59 anos e de 39,66% na faixa de 60 a 69 anos. CONCLUSÃO: Com base nos dados coletados, verificou-se que a pandemia de COVID-19 teve um impacto significativamente negativo sobre o rastreamento do câncer de mama no Brasil dentro da atenção básica. Esse impacto afeta principalmente a redução da mortalidade e a diminuição da morbidade feminina por câncer de mama, sobretudo nas mulheres entre 50 a 69 anos, faixa etária que mais se beneficia das estratégias de rastreamento.
ReferênciasINSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Estimativa 2020: incidência do Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2019. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Atlas da mortalidade. Rio de Janeiro: INCA, 2021. 1 base de dados. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Rastreamento. Brasília, 2010. p. 71 a 72 World Health Organization. National cancer control programmes: policies and managerial guidelines. 2nd Ed. Geneva: World Health Organization; 2002. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica . Rastreamento. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA. Brasília: Ed. Ministério da Saúde, 2009. p. 71.
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