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Resumo

INTRODUÇÃO: Foliculite Decalvante (FD) é uma afecção do couro cabeludo que comumente evolui para alopécia cicatricial (representa cerca de 11% dos casos de alopecia primária cicatricial). Sua etiologia ainda não foi bem determinada, mas mecanismos imunes, predisposição genética e infecção por Staphylococcus aureus parecem estar envolvidos na patogênese. Ocorre predominantemente em adultos jovens, de ascendência afro-americana, do sexo masculino. Caracteriza-se por inflamação, eritema e descamação, especialmente no vértice e região occipital do couro cabeludo. Na tricoscopia observa-se, caracteristicamente, presença de múltiplos fios emergindo de um único folículo – politriquia ou “pelos em tufos” ou “fios em cabelo de boneca”, além de eritema, descamação, crostas e pústulas inflamatórias perifoliculares. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 42 anos, pardo, trabalhador da construção civil, procedente de Teresina-PI, com “irritação” progressiva no couro cabeludo, há 9 anos. Sem tratamentos prévios. Ao exame apresentava placa alopecica eritemato-descamativa, com algumas pústulas, localizada no vértice; à tricoscopia, múltiplos “pêlos em tufos”. O exame histopatológico evidenciou escassez de anexos e presença de denso infiltrado inflamatório mononuclear perifolicular, com agressão e destruição de pêlo e proliferação de tecido fibroconjuntivo perifolicular com total substituição por fibrose, caracterizando assim alopecia cicatricial compatível com foliculite decalvante. Foi instituída antibioticoterapia sistêmica com doxiciclina 200 mg/dia e corticosteroide tópico (clobetasol). O paciente manterá seguimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A foliculite decalvante é um tipo de alopecia rara e crônica. Com etiopatogenia exata ainda desconhecida, seu tratamento é desafiador, com inúmeras recidivas. Antibióticos sistêmicos e tópicos, corticoides tópicos, sistêmicos e intralesionais, isotretinoína e dapsona são as terapias mais utilizadas. Outras medicações como inibidores tópicos da calcineurina e imunobiológicos, e também a epilação a laser aparecem como opções terapêuticas mais recentes. Contudo, não há diretriz ou consenso estabelecidos para o tratamento dessa dermatose e a persistência de atividade da doença é comum mesmo após várias tentativas terapêuticas.

Referências

Lynne J Goldberg. Folliculitis decalvans. UpToDate. 2021. Beth G Goldstein, Adam O Goldstein. Approach to the patient with a scalp disorder. UpToDate. 2021. Matard B et al.Folliculitis decalvans is characterized by a persistent, abnormal subepidermal microbiota. Exp Dermatol. 2020;29(3):295. Lopes Lamenha Lins Cavalcante, Maria; Duarte Pinto, Ana Cecília; Freitas de Brito, Fernanda; Viana da Silva, Gardênia; Nakandakari, Sadamitsu; Teixeira Soares, Cleverson Carcinoma espinocelular e foliculite de-calvante: relato de caso dessa rara associação Surgical & Cosmetic Dermatology, vol. 7, núm. 3, 2015, pp. 56-58.Sociedade Brasileira de Dermatologia. Rio de Janeiro, Brasil. Horowitz, Márcia Raquel; Rodrigues de França, Emmanuel; de Morais Cavalcanti, Silvana Maria; Rapela Medeiros, Ângela Cristina; de Lima Vidal, Marcela; Oliveira Resende, Manuela Tratamento da foliculite decalvante com laser Nd:YAG. Surgical & Cosmetic Dermatology, vol. 5, núm. 2, abril-junio, 2013, pp. 170-17

Instituições
  • 1 Centro Universitário Uninovafapi
Eixo Temático
  • DERMATOLOGIA
Palavras-chave
Alopecia
foliculite