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Se você NUNCA registrou um DOI no seu Lattes, veja nosso tutorial!INTRODUÇÃO: A ingestão de substâncias corrosivas é alarmante no meio médico por estar associada a casos de alta gravidade e a tentativas de autoextermínio. No trato digestivo superior, os ácidos promovem uma necrose de coagulação, que causa danos maiores em extensão do que em profundidade. A longo prazo, pode ocorrer estenose do esôfago e antral e desenvolvimento de carcinomas. Os tratamentos para as injúrias causadas por ácidos ainda são alvos de discordâncias entre pesquisadores e são considerados insatisfatórios, necessitando de mais pesquisas para o desenvolvimento de uma técnica consensual. RELATO DO CASO: J.J.R.N, masculino, 48 anos, natural de Coelho Neto - MA, dirigiu-se ao Hospital Universitário em Teresina-PI com queixa de odinografia e vômitos recorrentes, além de dor retroesternal em queimação e hiporexia. Relata surgimento e progressão do quadro após tentativa de suicídio com ingestão de ácido muriático (ácido clorídrico) há 7 meses. Apresentava-se em regular estado geral, consciente, afebril, emagrecido com abdome escavado, depressível e com ruídos hidroaéreos presentes, além de ausculta cardíaca e respiratória normais. Negava tabagismo e etilismo. O hemograma demonstrou reação leucocitária significativa e o raio-x de tórax não mostrou alterações. A esofagoduodenoscopia mostrou queimaduras em esôfago e estômago grau 3a de Zargar, com presença de cicatrizes de fibrose e material necrótico e fibrinoide em esfôfago e em antro estenosados. Confirmada estenose cáustica de esôfago e antro, foram realizadas tentativas de dilatação por balão que não apresentaram resultados satisfatórios, e então marcada cirurgia eletiva de gastroenteroanastomose (GDA) por videolaparoscopia. Realizado o procedimento sem intercorrências, o paciente no 4° DPO se apresentava estável em leito de enfermaria, já deambulando, com dieta líquida de prova com boa aceitação e sem alterações na diurese e evacuação. Os sinais vitais normais e ao exame físico com abdome plano, depressível e sem visceromegalias, além de hemograma sem alterações. Foi dada progressão de dieta, suporte clínico e cuidados pós-operatórios. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A GDA foi necessária devido a lesões e estenose esofágica e gástrica após tentativas fracassadas de dilatação por balão. Essas lesões são frequentes em pacientes que ingerem substâncias cáusticas em contexto de tentativas de autoextermínio. Devido ao seu impacto para o paciente, as potenciais complicações associadas devem ser prontamente tratadas.
ReferênciasHALL, A. H., JACQUEMIN, D., HENNY, D., et al. "Corrosive substances ingestion: a review", Critical Reviews in Toxicology, v. 49, n. 8, p. 637–669, 14 set. 2019. DOI: 10.1080/10408444.2019.1707773. Acesso em: 03 out. 2021. RAMASAMY, K., GUMASTE, V. V. "Corrosive ingestion in adults", Journal of Clinical Gastroenterology, v. 37, n. 2, p. 119–124, ago. 2003. DOI: 10.1097/00004836-200308000-00005. Acesso em: 03 out. 2021. CORSI, P. R., HOYOS, M. B. L., RASSLAN, S., et al. "Lesão aguda esôfago – gástrica causada por agente químicol", Rev Ass Med Brasil, v. 46, n. 2, p. 98–105, 2000. Acesso em: 03 out. 2021. ALI ZARGAR, S., KOCHHAR, R., MEHTA, S., et al. "The role of fiberoptic endoscopy in the management of corrosive ingestion and modified endoscopic classification of burns", Gastrointestinal Endoscopy, v. 37, n. 2, p. 165–169, 1991. DOI: 10.1016/S0016-5107(91)70678-0. Acesso em: 03 out. 2021.
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