CONSEQUÊNCIAS DO TRATAMENTO E DIAGNÓSTICO TARDIO DE FRATURA DE COTOVELO E EVOLUÇÃO PARA CIRURGIA DE ARTRODESE TOTAL: UM RELATO DE CASO

Vol 1, 2021 - 139440
Relato de caso
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Resumo

INTRODUÇÃO: As fraturas da articulação do cotovelo são lesões graves, podendo acometer diversas estruturas anatômicas que compõem essa articulação. As fraturas da cabeça do rádio são as mais comuns do cotovelo, representando um terço destas lesões e 3% todas as fraturas. Normalmente, essa estrutura fratura quando colide contra o Capítulo do úmero, podendo ser devido uma carga axial pura, como na lesão de Essex-Lopresti. As fraturas do Olécrano representam de 10 a 20% todas as lesões do cotovelo. Já as fraturas do úmero distal possuem incidência de 5,7 para cada 100.000 pessoas por ano. RELATO DE CASO: Paciente do sexo masculino, 53 anos de idade, natural de Hugo Napoleão-PI, trabalhador rural, relata queda de própria altura há um mês. Procurou o serviço médico imediatamente, mas não foi feito diagnóstico no atendimento inicial, retornando para sua residência. Após 3 semanas, com a persistência dos sintomas, buscou novamente o serviço médico, sendo diagnosticado a fratura. Os resultados do exame físico inicial foram limitados, com sinais de dor intensificados à mobilização e à palpação, além da perda de função da articulação úmero-ulnar acometida. Foi solicitada uma radiografia da lesão que mostrou uma fratura cominutiva do rádio com sinais de intensa reabsorção óssea, indicando, assim, a realização de uma conduta cirúrgica em caráter de emergência. A cirurgia optada foi do tipo artrodese com placas e pinos, devido à elevada perda de tecido ósseo no local, e via de acesso posterior estendida. Após o término da operação, 3 fragmentos ósseos, sendo o maior com dimensões 4,5 x 3,5 x 1,5 cm, foram encaminhados para realização de um exame anatomopatológico do tipo congelamento em parafina, cujo resultado mostrou áreas de fibrose e remodelação trabecular, sem nenhuma presença de malignidade. O cotovelo do paciente foi mantido fletido em 90° para propiciar maior conforto na realização das tarefas diárias e para facilitar a higienização do local. O paciente retornou depois de 45 dias, sem dor, sem sinais de inflamação ou infecções e sem déficits neurológicos. CONCLUSÃO: Embora essa lesão seja comum, seu tratamento é complexo, devendo ser preferencialmente cirúrgico para prevenir restrições da motilidade. Nesse caso, a demora para realização de um tratamento cirúrgico, associado à idade elevada do paciente e ao tipo da lesão, causou a necessidade de se realizar a cirurgia de artrodese total do cotovelo, um desfecho raro, porém, necessário nesse caso.

Referências

CIBULA, Zoltan.et al. Complex open elbow fracture Gustilo-Anderson type IIIB treated with the primary elbow arthroplasty: A case report. Chin J Traumatol, v. 24, p.120-124, 2019 KOVACK, Thomas J.et al. Elbow arthrodesis: a novel technique and review of the literature. Orthopedics.v. 37, p.313-9, 2014 REICHEL, Lee M. Arthrodesis of the elbow. Hand Clin. v. 27, p. 179-86, 2011 SALA, Francesco.et al. Elbow arthrodesis for post-traumatic sequelae: surgical tactics using the Ilizarov frame. J Shoulder Elbow Surg. v. 24, p.1757-63, 2015

Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Piauí
Eixo Temático
  • ORTOPEDIA
Palavras-chave
Articulação do cotovelo
Fratura óssea
Reabsorção óssea
Artrodese