CIRURGIA DE REDESIGNAÇÃO SEXUAL NO SEXO MASCULINO: UM ESTUDO COMPARATIVO DO PROCESSSO TRANSEXUALIZADOR ENTRE OS ESTADOS E REGIÕES BRASILEIROS

Vol 1, 2021 - 139385
E-pôster
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

INTRODUÇÃO: A cirurgia de redesignação sexual (CRS) no sexo masculino (SM) consiste em um procedimento de alta complexidade, em que é realizado orquiectomia bilateral com amputação do pênis e neocolpoplastia. Trata-se de um processo transexualizador, que requer acompanhamento clínico, pré e pós operatório, com hormonioterapia. A CRS é uma intervenção cirúrgica na qual as características sexuais e genitais de nascença de um indivíduo são mudadas para aquelas socialmente associadas ao gênero em que se reconhece. É parte, ou não, da transição física de transexuais e transgêneros. OBJETIVOS: Este trabalho objetiva analisar comparativamente os procedimentos de CRS do SM no Brasil. MÉTODOS: Consiste em um estudo epidemiológico, cujos dados foram obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS. Utilizou-se como parâmetros as Autorizações de Internação Hospitalar por local de internação nos estados e regiões brasileiras e o seu ano de ocorrência, entre 2015 a 2019. RESULTADOS: No período foram registrados um total de 171 CRS. Em 2015, houveram 23 CRS: 4 na região Nordeste (NE), 12 no Sudeste (SE), 7 no Sul (SU). Em 2016, foram 38 CRS: 9 no NE, 12 no SE, 11 no SU e 6 no Centro-Oeste (CO). Em 2017, foram 39 CRS: 9 no NE, 12 no SE, 11 no SU e 7 no CO. Em 2018 foram 34 CRS: 11 no NE, 8 no SE, 7 no SU e 8 no CO. Em 2019, foram 37 CRS: 10 no NE, 10 no SE, 13 no SU e 4 CO. O Rio Grande do Sul (RS) é o estado com mais CRS com 49, seguido por Pernambuco com 43, São Paulo com 28, Rio de Janeiro com 26 e Goiás com 25. Pelos dados apreendidos foi possível destacar o SE como a região de referência para a realização da CRS no SM. Já o RS foi o estado que realizou o maior número de CRS entre os demais. É evidente um acréscimo não linear no número de operações, com um aumento percentual total de 60,8% entre 2015 e 2019. Além disso, observa-se que apenas 5 estados concentram todas essas cirurgias em todo o país, o que indica um certo desnível de acessibilidade, evidenciando a precariedade das políticas públicas que contemplem efetivamente a população transexual. CONCLUSÃO: Dessa forma, percebe-se a necessidade de serviços de referência para a realização de CRS, pois esse representa um tema ainda visto sob o viés patológico e envolto de grande preconceito no meio médico. A população transexual é altamente marginalizada, o que revela a importância de analisar as suas formas de acesso no SUS e se suas demandas estão sendo plenamente atendidas.

Referências

1-MASIERO, L. M. Cirurgia de redesignação sexual no Brasil: rostos e corpos buscando uma identidade. Bagoas - Estudos gays: gêneros e sexualidades, v. 12, n. 18, 10 set. 2018. 2-OLEGÁRIO, R. L.; VITORINO, S. M. A. Uma visão geral da cirurgia de redesignação sexual. Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba, [S. l.], v. 21, n. 4, p. 151–152, 2020. DOI: 10.23925/1984-4840.2019v21i4a2. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/RFCMS/article/view/41264. 3-ROCON, P. C. et al. Vidas após a cirurgia de redesignação sexual: sentidos produzidos para gênero e transexualidade. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2020, v. 25, n. 6 [Acessado 1 Outubro 2021], pp. 2347-2356. Disponível em: .

Instituições
  • 1 Universidade Federal do Delta do Parnaíba
Eixo Temático
  • GO/MASTOLOGIA
Palavras-chave
Pessoas Transgênero
Cirurgia de Redesignação Sexual
Procedimentos de Readequação Sexual