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Resumo

INTRODUÇÃO: Micetomas são infecções granulomatosas crônicas, geralmente subcutâneas, causadas por fungos verdadeiros (eumicetomas) ou bactérias filamentosas aeróbias (actinomicetomas). O acometimento cerebral é raro e foi descrito poucas vezes na literatura. Relatamos aqui um caso de eumicetoma com acometimento intracraniano. RELATO DE CASO: Paciente masculino, 47 anos, previamente hígido, é encaminhado ao serviço com história de crises convulsivas há 2 meses, sem déficits funcionais ou história prévia de comprometimento imunológico. Traz consigo ressonância magnética de crânio que evidenciou três lesões nodulares confluentes corticais com realce heterogêneo pelo contraste, conteúdo líquido e/ou necrótico de alta celularidade, com intensa restrição à difusão e dimensões que variam de 0,7 a 1,3 cm, adjacente, espessamento meníngeo, com coleção extra-axial com incremento do realce e conteúdo que apresenta restrição à difusão e extensão axial de cerca de 2,8 x 1,0 cm, com efeito de massa cortical em lado esquerdo, o que permitiu a suspeita de origem neoplásica ou infecciosa. Negou episódios anteriores de sinusites ou problemas dentários, mas referiu trauma na cabeça por queda de árvore com pequena escoriação no couro cabeludo, há cerca de 3 anos. Em intraoperatório neurocirúrgico, a lesão apresentou aspecto infiltrativo no músculo temporal esquerdo, drenagem de material purulento na abertura dural e lesão subcortical bem delimitada em topografia frontal esquerda. Na análise histopatológica, foi identificado processo inflamatório crônico granulomatoso com necrose exsudativa por fungos (evidenciado através de coloração Grocott) em todas as amostras teciduais, consistente com diagnóstico de eumicetoma. Não houve intercorrências no pós-operatório. Em seguimento ambulatorial, tratamento com itraconazol por 2 anos e fenobarbital após parecer do serviço de infectologia e sem queixas até o momento. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os eumicetomas são infecções de baixa prevalência, com maior incidência em público imunocomprometido. Dentre estes, os eumicetomas cranianos ocorrem em menos de 4% dos casos descritos, o que torna seu diagnóstico e tratamento desafiadores. Este caso é valioso para a comunidade médica ao descrever um evento raro em paciente imunocompetente e com acometimento cerebral, cuja literatura sobre o tema é escassa. Espera-se que este trabalho possa auxiliar no manejo de casos semelhantes através da história clínica, aspectos de imagem e terapia do paciente.

Referências

Ahmed M, Sureka J, Chacko G, Eapen A. MRI findings in cranial eumycetoma. Indian Journal of Radiology and Imaging, v. 21, n. 4, p. 261-263, 2011. Maheshwari S, Figueiredo A, Narurkar S, Goel A. Madurella mycetoma—a rare case with cranial extension. World Neurosurgery, v. 73, n. 1, p.69-71, 2009. Beeram V, Challa S, Vannemreddy P. Cerebral mycetoma with cranial osteomyelitis. Journal of Neurosurgery: Pediatrics, v. 1, n. 6, p. 493–495, 2008. Pereira ACSF, Silva Júnior PP, Milan EP. Eumicetoma e actinomicetoma: uma breve revisão da literatura. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 50, n. 4, p. 309-314, 2018.

Instituições
  • 1 Hospital São Marcos - Teresina PI
Eixo Temático
  • NEUROCIRURGIA
Palavras-chave
Eumicetoma
Neurocirurgia
Imagem de Ressonãncia Magnética