ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DO IMPACTO DA PANDEMIA DA COVID-19 NO DIAGNÓSTICO DE HANSENÍASE NO BRASIL

Vol 1, 2021 - 139377
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Resumo

INTRODUÇÃO: Hanseníase é um doença infectocontagiosa, transmissível e causada por Mycobacterium leprae. Quando não tratada, provoca sinais e sintomas dermatoneurológicos frequentemente incapacitantes. O diagnóstico precoce e a vigilância de contatos contribuíram para a redução de casos dessa morbidade nas últimas décadas ao redor do mundo. O atraso na identificação de novos casos, em face da pandemia da COVID-19, impacta negativamente a qualidade de vida da população acometida e aumenta as chances de desfecho desfavorável de seus casos. OBJETIVOS: Analisar quantitativamente o impacto da pandemia da COVID-19 no diagnóstico de hanseníase no Brasil. MÉTODOS: Estudo epidemiológico quantitativo, descritivo e transversal a partir de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação disponíveis no sistema DATASUS. A fim de se evitarem distorções estatísticas, comparou-se a média do número de diagnósticos de hanseníase no Brasil, suas regiões e unidades federativas no quinquênio de 2015 a 2019 com o ano de 2020, o primeiro da pandemia da COVID-19. RESULTADOS: Observou-se regularidade no número anual de diagnósticos de hanseníase no Brasil no período anterior à pandemia da COVID-19, em contraste com 2020, quando foi registrada forte redução. Houve decréscimo de 44,6% nessa notificação em 2020 frente à média do quinquênio 2015-2019, passando de 35.190 para 19.478 diagnósticos. Todas as regiões e unidades federativas do país registraram quedas nesse parâmetro. Regionalmente, a variação negativa foi mais acentuada no Sudeste (50,4%), seguido de Nordeste (45%), Sul (44%), Norte (43,7%) e Centro-Oeste (41,2%). Quanto às unidades federativas, a maior queda percentual ocorreu no Espírito Santo (84,7%), seguido de Roraima (65,9%), Rio Grande do Sul (58,4%), Piauí (58,3%) e Bahia (54,3%). Os menores decréscimos foram observados no Distrito Federal (10,7%), no Rio Grande do Norte (29,4%), em Sergipe (31,7%), em Santa Catarina (34,9%) e em Pernambuco (37,8%). CONCLUSÃO: Os dados analisados mostram uma regularidade no número anual de diagnósticos de hanseníase no Brasil no período de 2015 a 2019, cuja variação máxima não excedeu 5 mil casos, o que torna significativa a redução de mais de 19 mil casos em 2020 frente à média desse quinquênio. A queda nessa notificação, consistente nas variáveis analisadas, sugere um impacto relevante da pandemia da COVID-19 na identificação de novos casos de hanseníase no país, tornando pertinentes análises futuras sobre este tema.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Banco de dados do Sistema Único de Saúde - DATASUS. Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Disponível em . Acesso em: 12 set. 2021. BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública. Brasília, 2016. SANTOS, K. C. B. et al. Estratégias de controle e vigilância de contatos de hanseníase: revisão integrativa. Saúde em Debate. Rio de Janeiro, v. 43, n. 121, p. 576-591, abr./jun. 2019.

Instituições
  • 1 Universidade Federal do Delta do Parnaíba
Eixo Temático
  • DERMATOLOGIA
Palavras-chave
COVID-19
Epidemiologia
Hanseníase