ANALISE DO PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO DE NEONATOS QUE REALIZARAM TRATAMENTO DE ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO E SUA CORRELAÇÃO COM MEGACÓLON CONGÊNITO

Vol 1, 2021 - 139493
Tema livre oral
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Resumo

Introdução: O Megacólon Congênito (MC), também denominado doença de Hirschsprung constitui anomalia congênita que tem como característica intrínseca a ausência dos neurônios intramurais dos plexos mioentéricos de Meissner e Auerbach, afetando o reto e o cólon sigmoide. Dessa forma, provoca distensão abdominal ocorrendo logo após o nascimento, com presença de vômitos e retardo na eliminação de mecônio, sem que haja um fator mecânico obstrutivo reconhecido de imediato. O diagnóstico é feito com o enema baritado e/ou biópsia retal por sucção. O tratamento consiste na reconstrução do trânsito intestinal, pelas técnicas de Duhamel, Soave ou Swenson. Objetivos: Analisar o perfil clínico-epidemiológico de neonatos que realizaram laparotomia exploratória (LE), para tratamento de abdome agudo obstrutivo e sua correlação com MC. Métodos: Foram analisados retrospectivamente, entre janeiro de 2019 a agosto de 2020, 56 pacientes com diagnostico de abdome agudo que foram submetidos à LE em uma maternidade de referência do estado do Piauí. O estudo foi previamente aprovado pelo comitê de ética do Uninovafapi, parecer n. 4.244.574. Resultados: Dentre 56 pacientes, 10 possuíram diagnóstico de MC. A média de idade das gestantes foi de 30 anos, dentre as quais 40% não realizaram pre natal, as demais realizaram 5 ou mais consultas. Na via de parto, 90% evoluiu para cesariana, com uma média de 34 semanas e 2 dias de idade gestacional. O apgar médio foi de 6 no 1’ e 9 no 5’. A maioria evoluiu com distensão abdominal, vômitos e ausência de evacuações. Foi realizado colostomia com biópsia colônica em múltiplas regiões, evidenciando ausência dos plexos mioentéricos. 60% dos pacientes foram a óbito, sendo a principal causa sepse (66%), seguido por hemorragia pulmonar (34%). 40% dos pacientes receberam alta com uma média de 1,5 mês de internação, em seguimento ambulatorial. Conclusão: A avaliação anatomopatológica é fundamental para o diagnóstico do MC, através da identificação da aganglionose. A colostomia objetiva, além do diagnóstico, manter a estabilidade clínica do paciente para futuro tratamento cirúrgico definitivo. Contudo, os resultados das biópsias obtidos tardiamente, associados à baixa prevalência dessa condição clínica atípica, contribuem na grande dificuldade diagnóstica, apesar da disponibilidade do atendimento especializado e exames complementares laboratoriais e radiológicos.

Referências

Lourenção P. Desafios diagnósticos na Doença de Hirschsprung: aplicabilidade de novos métodos imuno-histoquímicos e endoscópicos. São Paulo: Athena Biblioteca Unesp; 2012. SANTOS JÚNIOR JCM. Megacólon - Parte I: Doença de Hirschsprung. Rev bras Coloproct, 2002(3):196-209 ZANDONÁ, DIEGO WILLIAN LEGORI; SCHOFFEN, JOÃO PAULO FERREIRA. Megacólon congênito: fisiopatologia, etiologia e tratamento. REVISTA UNINGÁ, [S.l.], v. 15, n. 1, mar. 2008.

Instituições
  • 1 UNINOVAFAPI
Eixo Temático
  • CIRURGIA
Palavras-chave
Megacolo Congênito
Cirurgia Colorretal
Obstrução Intestinal